Você seria feliz no céu se Deus não estivesse lá?


Por Alan Capriles

"Se eu te adorar por medo do inferno,
Queima-me no inferno.
Se eu te adorar pelo paraíso,
Exclua-me do paraíso.
Mas, se eu te adorar pelo que Tu és,
Não esconda de mim a Tua face."
(Rabia, 800 d.C.)

Paul Washer, um dos pregadores que mais admiro, é um crítico feroz dos métodos de evangelismo moderno. Entre outros problemas, ele aponta para o erro de se evangelizar com a inútil pergunta: "Você quer ir para o céu?" Segundo ele, esta é uma pergunta inútil porque sua resposta é óbvia: "Todos querem ir para o céu, até o diabo, mas a maioria não quer que Deus esteja lá quando chegarem!"

E não é verdade? Todos querem ir para o céu. Ninguém, em sã consciência, desejaria arder no lago de fogo e enxofre, nem mesmo o próprio diabo. Ao mesmo tempo, quem não desejaria passar uma eternidade sem tristeza, dor, cansaço, gozando de perfeita paz e alegria? Todos querem isto! Porém, por pior que seja o inferno, e por melhor que seja o paraíso, não devemos conduzir alguém a Cristo por estes motivos.

Ao contrário do que muitos pensam, tão errado quanto aproximar-se de Jesus por interesses materiais é adorá-lo por interesses espirituais. Sendo assim, a questão é: por qual motivação eu tenho seguido a Cristo?

John Piper faz uma brilhante análise acerca desse tema em seu livro "Deus é o Evangelho"*. Lembrando que muitos não entendem direito o que são as boas novas do evangelho, Piper sugere a seguinte pergunta:

"Por que saber que seus pecados estão perdoados é boas-novas para você?"

"Uma pessoa pode responder: "Ser perdoado é boas-novas, porque eu não quero ir para o inferno". Outra pode dizer: "Ser perdoado é boas-novas, porque uma consciência culpada é algo horrível, e encontro muito alívio em pensar que meus pecados estão perdoados". Outra talvez responda: "Quero ir para o céu". Mas temos de perguntar por que as pessoas querem ir para o céu. Talvez respondam: "Porque o alternativo é doloroso". Ou: "Porque a minha esposa está lá". Ou: "Porque haverá um novo céu e uma nova terra, nos quais a justiça e a beleza finalmente estarão em todos os lugares".

Piper prossegue: "O que há de errado nestas respostas? É verdade que ninguém quer ir para o inferno. O perdão proporciona alívio a uma consciência culpada. No céu, seremos restaurados à comunhão com os queridos que morreram em Cristo, escaparemos do sofrimento do inferno e desfrutaremos da justiça e da beleza da nova terra. Tudo isso é verdade. Então, o que está errado nessas respostas? O que está errado nelas é que não consideram a Deus como o bem final e mais sublime do evangelho."

Para que definitivamente entendamos a importância deste assunto, John Piper nos deixa uma excelente ilustração, traçando uma analogia perfeita em relação às nossas motivações para com Deus. Imagine a seguinte situação:

"Suponha que eu levante pela manhã e, enquanto caminho em direção ao banheiro, tropeço na cesta de roupas sujas que minha esposa havia deixado ali para lavar no dia seguinte. Em vez de eu mesmo remover a cesta gentilmente e pensar melhor a respeito de minha esposa, reajo de um modo completamente desproporcional à situação e lhe digo algo bastante grosseiro, quando ela ainda está acordando. Ela se levante, pega a cesta de roupa e desce a escada diante de mim. Posso dizer pelo silêncio e por minha própria consciência que nosso relacionamento entrou em séria dificuldade.

"Enquanto desço, a consciência me acusa. Sim, a cesta não deveria estar naquele lugar. Sim, eu poderia ter quebrado o pescoço. Contudo, esses pensamentos são principalmente argumentos carnais autodefensivos. A verdade é que minhas palavras foram incoerentes. A dureza emocional não somente fora desproporcional à seriedade da falha como também a Bíblia me ensina a não atentar para o erro. "Por que não sofreis, antes, a injustiça? Por que não sofreis, antes, o dano?" (1 Co 6:7)

"Por isso, quando entro na cozinha, há um clima de frieza, e minha esposa está de costas para mim, trabalhando no balcão da cozinha. O que precisa acontecer ali? A resposta é evidente: preciso desculpar-me e pedir perdão. Isto seria o correto a fazer. Mas, eis a analogia: por que eu quero o perdão de minha esposa? Para que ela faça o meu café da manhã favorito? Para que meus sentimentos de culpa desapareçam e eu consiga me concentrar no trabalho hoje? Para que tenhamos uma boa relação sexual esta noite? Para que nossos filhos não nos vejam em desarmonia? Para que ela finalmente admita que a cesta de roupa suja estava no lugar errado?

"Talvez, cada um desses desejos seja verdadeiro. Mas são todos motivos fracos para eu obter o perdão de minha esposa. O que está faltando é isto: eu quero ser perdoado para que tenha de volta a agradável comunhão com minha esposa. Ela é a razão por que eu desejo ser perdoado. Quero o relacionamento restaurado. O perdão é apenas um meio de remover os obstáculos, de modo que possamos olhar novamente um para o outro, com alegria".

John Piper, após esta brilhante ilustração, conclui com graves considerações, que transcrevo a seguir. Afinal, este é um assunto de vida e morte, no qual todos devemos meditar muito seriamente.

"[...] todas as bênção do evangelho são meios de remover os obstáculos para que conheçamos a Deus e desfrutemos mais plenamente dEle".

"O evangelho não é uma maneira de levar as pessoas ao céu; é um meio de trazer as pessoas a Deus".

"Se não queremos Deus acima de todas as outras coisas, não fomos convertidos pelo evangelho".

"E as pessoas que seriam felizes no céu sem a presença de Cristo, não estarão no céu".

Você entendeu bem? Elas simplesmente "não estarão no céu."

E você, estará?

FONTE:
http://alancapriles.blogspot.com/
Alan Capriles

* Este artigo contém trechos do livro “Deus é o Evangelho - Um Tratado Sobre o Amor de Deus como Oferta de Si Mesmo” de John Piper, Editora Fiel.

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