Quando não pecar se torna o pior dos pecados


Por Alan Capriles

Antes de tudo, devo esclarecer que não faço apologia ao pecado. Digo isso por causa do título, que pode ser mal interpretado antes da leitura completa deste artigo. “O salário do pecado é a morte” e é bom que não nos esqueçamos disso.

O termo “pecar” significa, em sua origem hebraica, “errar o alvo”. Sendo assim, pecado é desviar-se do propósito de Deus para nossa vida, o alvo que Ele mesmo estabeleceu. Este alvo é sua própria glória. Existimos e vivemos para glória de Deus. (1Co 10:31)

De fato, qualquer pecado que se possa imaginar é sempre algo que não glorifica a Deus. Essa é a razão pela qual a Bíblia ensina que aquele que sabe fazer o bem e não o faz, comete pecado. Quando fazemos o bem, Deus é glorificado, mas quando deixamos de fazer o bem, perdemos a oportunidade de glorificar o nome do Senhor.

“Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras, e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus.”
(Mateus 5:16)

O FATOR MOTIVAÇÃO

Por outro lado, alguém pode estar fazendo o bem e, ao mesmo tempo, cometendo o pior dos pecados. Assim como alguém pode estar pecando gravemente ao lutar contra seus pecados. Sei que parece algo incoerente, mas não quando nos lembramos do fator “motivação”.

Por qual motivo alguém está evitando pecar e por qual razão está buscando fazer o bem? Esta é a questão fundamental.

Por exemplo, quantas são as pessoas que praticam caridade com o fim de aparecer? Foi por isso que o Senhor nos deixou a seguinte advertência:

“Guardai-vos de fazer as vossas boas obras diante dos homens, para serdes vistos por eles; de outra sorte não tereis recompensa junto de vosso Pai, que está nos céus. Quando, pois, deres esmola, não faças tocar trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem glorificados pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam a sua recompensa.” (Mateus 6:1-2)

Ao mesmo tempo em que o Senhor nos ordena praticar boas obras ele também nos proíbe de fazê-las com a intenção errada. E isso tudo no mesmo sermão (Mt 5:16; 6:1-2). Ora, quando alguém faz o bem buscando glória para si mesmo, está tentando roubar a glória que só a Deus pertence. Nosso alvo deve ser sempre a glória de Deus. Quem deseja glória para si está errando o alvo, está pecando.

O MAIOR ENGANO

Pior ainda é quando alguém faz o bem, ou deixa de fazer o mal, acreditando que desta forma está comprando a vida eterna. E, de fato, muitos crentes se esforçam em cumprir os mandamentos justamente com o fim de não perder a salvação. Ao agir assim, acabam se assemelhando aos espíritas que, por desconhecerem a graça do evangelho, fazem o bem na esperança de uma reencarnação mais bem sucedida. Perceba que a motivação de ambos é semelhante: “merecer um porvir melhor”.

Mas a salvação não se alcança por merecimento. Se fosse possível comprarmos nossa salvação por meio de boas obras não teria sido necessário que Deus enviasse seu Filho ao mundo para tomar sobre si nossos pecados. E, ainda mais grave, quando “evitamos pecar” buscando aprovação de Deus é como se negássemos que a obra da salvação foi consumada na cruz.

“Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus; sendo justificados gratuitamente pela sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus, ao qual Deus propôs como propiciação, pela fé, no seu sangue, para demonstração da sua justiça por ter ele na sua paciência, deixado de lado os delitos outrora cometidos; para demonstração da sua justiça neste tempo presente, para que ele seja justo e também justificador daquele que tem fé em Jesus.”
(Romanos 3:23-26)

A MOTIVAÇÃO CORRETA

Isto não significa que devamos continuar pecando deliberadamente. Muito pelo contrário! Quanto mais tomamos consciência de que foi por causa de nossos pecados que o Senhor morreu na cruz, tanto mais devemos viver para glória de Deus, evitando a prática do pecado. Mas agora, evitaremos o pecado pela motivação correta, não para comprar nossa entrada no céu, mas tão somente por amor a Deus. Sim, por amor a Deus!

Precisamos ter em mente que o pecado é sempre um ato contra Deus. Por exemplo, quando o rei Davi arrependeu-se de seu adultério com Bate-Seba e do homicídio de Urias, ele não orou dizendo que pecou contra essas duas pessoas, mas orou a Deus da seguinte maneira: “Contra ti, contra ti somente, pequei, e fiz o que é mau diante dos teus olhos” (Salmo 51:4)

- Por que razão você evita o pecado?

Existe apenas uma única resposta correta: “O pecado deve ser evitado por amor a Deus.”

Este perfeito amor a Deus conseqüentemente nos leva a amar nosso próximo. Aquele que ama seu próximo evitará dar um mau testemunho, a fim de não escandalizá-lo. (Rm 14:15,21; 1Co 8:13)

Como se percebe, eu não deixo de pecar para ser salvo, mas eu deixo de pecar porque eu sou salvo. Aliás, essa é a boa nova do evangelho: a salvação pela graça! Ele me salvou, morrendo em meu lugar, sem eu nada merecer, e por isso eu o amo!

“Mas Deus dá prova do seu amor para conosco, em que, quando éramos ainda pecadores, Cristo morreu por nós. Logo muito mais, sendo agora justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira.” (Romanos 5:8-9)

O PIOR DOS PECADOS

Portanto, “não pecar” se torna o pior dos pecados quando não pecamos a fim de sermos salvos. Isso é um grande equívoco! Este é o pior dos pecados porque se trata de rejeitar – ou, no mínimo, duvidar da poderosa salvação que Deus nos concede gratuitamente pela fé no seu Filho amado, nosso Senhor Jesus Cristo.

Negar a eficácia da cruz é tão grave, que o apóstolo João chama de anticristo aquele que negar a salvação em Jesus (1João 2:23)

Da mesma forma, praticar boas obras também pode ser o pior dos pecados se fizermos isso por interesse de salvação.

Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie. Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus antes preparou para que andássemos nelas. (Efésios 2:8-10)

Deus preparou as boas obras para que andássemos nelas, não para que fôssemos salvos por elas. Ou seja, eu não faço boas obras para ser salvo, mas porque já sou salvo, pela fé em Jesus Cristo. Assim como ele me amou, também quero amar o meu próximo e fazer o bem a ele.

“Nisto conhecemos o amor: que Cristo deu a sua vida por nós; e nós devemos dar a vida pelos irmãos.”
(1João 3:16-18)

CONCLUINDO

Tão importante quanto não esquecermos que “o salário do pecado é a morte” é nos lembrarmos de que “o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus nosso Senhor.” (Rm 6:23) Confiemos nele, que consumou nossa salvação na cruz, e não em nossos imperfeitos atos de justiça.
Alan Capriles

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