PODEMOS CELEBRAR O NATAL?


INTRODUÇÃO

Ultimamente, muitos cristãos têm sido perturbados por celebrarem o Natal. E, por mais incrível que pareça, essa perseguição geralmente ocorre dentro do próprio meio evangélico. Quem comemora o Natal tem sido acusado de celebrar uma festa pagã e não o nascimento de Jesus. Será mesmo? O presente estudo, apesar de breve, deverá ser o suficiente para esclarecer aqueles que têm dúvidas acerca desse assunto, especialmente os que já celebram o Natal.

ORIGEM E REAL SIGNIFICADO

Do latim “natale”, significa nascimento, natalício. O termo se refere especificamente ao nascimento do Senhor Jesus Cristo.

A data de 25 de Dezembro
Data estabelecida em meados do século V, para comemorar o Natal do Senhor. Apesar de não se saber ao certo o dia do nascimento de Cristo, evidências bíblicas indicam que Jesus não nasceu em Dezembro. Nesta data celebrava-se uma festividade pagã, chamada Natalis Solis Invicti, que significa o Nascimento do Sol Invencível. Tratava-se de uma homenagem ao deus persa Mitra. A partir do ano 440 D.C. esta festividade foi proibida e substituída pela festa de ação de graças pelo nascimento de Jesus, nosso conhecido Natal.

Luz onde havia trevas
A substituição da festa pagã pelo Natal foi para fazer os povos entenderem que o Sol invencível não era Mitra, mas sim o Senhor Jesus. No livro de Malaquias, capítulo 4, no versículo 2, Deus faz a seguinte revelação a respeito do nascimento de Cristo: “Mas, para vós, que temeis o meu nome, nascerá o Sol da justiça, trazendo salvação debaixo das suas asas”. Jesus, em diversas passagens bíblicas, é comparado ao Sol. Portanto, ao contrário do que atualmente se apregoa, não foi o Natal cristão que se tornou uma festa pagã. Aconteceu exatamente o contrário: uma festa pagã é que se converteu a Cristo. Onde havia trevas, resplandeceu a luz!

Oportunidade evangelística
A celebração do Natal é uma excelente oportunidade evangelística, na qual devemos lembrar a todos que o eterno e divino Verbo um dia se fez carne e habitou entre nós. Sendo assim, ainda que Jesus não tenha nascido em 25 de Dezembro, não há pecado algum em realizar-se cultos em ação de graças neste dia pelo nascimento do Senhor. O fato do dia 25 de Dezembro ter sido, há mais de 1.500 anos atrás, a data de uma celebração pagã, nada nos impede de adorarmos ao verdadeiro Deus nesta mesma data. Será que alguém hoje pensa em Mitra no dia 25 de Dezembro? Esse falso deus foi totalmente ofuscado pela luz da glória soberana de Cristo. Aqueles que no dia 25 de Dezembro rejeitam glorificar a Deus pelo nascimento de Jesus parecem estar dando muita importância a Mitra. Está se atribuindo a Mitra um poder que ele não tem, nem nunca teve, o de ser o dono de uma data!

OS COSTUMES NATALINOS

Quanto aos costumes do Natal, os mesmos foram sendo incorporados por culturas de diversas partes do mundo. Segue-se um breve comentário das principais tradições natalinas:

A árvore de Natal
No hemisfério Norte, o Natal acontece durante o Inverno, época em que o frio e a neve fazem todas as árvores perderem suas folhas, exceto uma: o pinheiro. Esta é a principal razão pela qual o pinheiro simboliza o Natal, porque representa a vida e, de certa forma, também a eternidade. Esta prática começou na Alemanha, por volta do ano 800 d.C. Foi adotada pelos cristãos para substituir o “carvalho sagrado de Odim”. Odim era venerado como o deus das tempestades para os povos germânicos. Estes povos pagãos adoravam o carvalho como árvore sagrada deste falso deus e, diante da árvore, faziam seus sacrifícios. Mas como aconteceu esta substituição? Conta-se que um missionário católico inglês, chamado Winfrid, mais tarde apelidado de São Bonifácio, foi o responsável pelo uso do pinheiro no Natal. Numa das viagens de Bonifácio pelo norte da Alemanha ele teria se deparado com um grupo de pagãos diante de um carvalho. Eles estavam prestes a sacrificar o pequeno príncipe Asulf ao deus Thor. Bonifácio conseguiu impedir aquele sacrifício e cortou aquela árvore. Quando o carvalho foi abatido, em seu lugar nasceu um pequeno abeto, que é uma espécie de pinheiro. Bonifácio então disse que o pinheiro passaria a simbolizar a árvore da vida, pois nascera no lugar daquela árvore da morte.

Os enfeites na árvore
Também os alemães foram os primeiros a decorar os pinheiros natalinos. Foi a substituição de um hábito pagão druida. Os druidas decoravam velhos carvalhos com maçãs douradas para as festividades de solstício, uma data muito próxima do Natal. Os alemães trocaram as maçãs douradas por bolas douradas. Os demais enfeites ficaram por conta da imaginação.

As luzes pisca-pisca
Atribui-se a Martinho Lutero (1483-1546) a novidade de luzes na árvore. Conta-se que ele teria enfeitado um pinheiro com velas em sua casa. Queria mostrar às crianças como deveria ser o céu na noite do nascimento de Cristo.Com a invenção da luz elétrica, as velas foram substituídas por pequenas lâmpadas que piscam, ou, assim como as velas, aumentam e diminuem a luminosidade.

O presépio
Palavra de origem latina, que significa estábulo, estrebaria. Representa-se, numa maquete, o lugar onde Jesus teria nascido. Pequenas imagens de escultura são colocadas no presépio, representando: José, Maria, o menino Jesus, os três magos, os pastores e alguns animais. Atribui-se a São Francisco de Assis a criação do primeiro presépio. No ano 1224, São Francisco montou um presépio com pessoas e animais nos fundos da igreja de uma vila, para encenar a noite de Natal. Desde que as imagens de um presépio não sejam adoradas, mas sirvam apenas como lembrança da passagem bíblica do nascimento de Jesus, não há problema algum nesse costume.

A guirlanda
Coroa tecida com folhas e flores entrelaçadas. As guirlandas sempre foram muito utilizadas desde a antiguidade. O formato de círculo representa a eternidade. As folhas representam a vitalidade. As guirlandas eram usadas para diversos fins, por exemplo: coroar os vencedores de competições esportivas, decorar as casas durante o inverno, homenagear um falecido em seu funeral, ou consagrar as vítimas sacrificais. Neste caso, o tipo de folhagem definia para qual deus a vítima era oferecida: folhas de louro, para Apolo; de salsinha ou de oliva, para Zeus; de pinho, para Posseidon; de funcho, para Sabázio; e assim por diante. A única guirlanda que tem alguma coisa a ver com Jesus foi aquela com a qual ele foi corado pelos soldados romanos: a coroa de espinhos. O costume da guirlanda na porta de casa deve ser mesmo uma influência romana. Os romanos enfeitavam suas casas com guirlandas durante o inverno.

A troca de presentes
É um costume de origem pagã. Os romanos comemoravam a Saturnália, no dia 17 de Dezembro, com uma troca de presentes. No ano novo romano, 1° de Janeiro, eram distribuídos presentes para crianças pobres. Logo veio a mistura: não mais no dia 17 de Dezembro, nem em 1° de Janeiro, mas em 25 de Dezembro, as crianças deveriam ser presenteadas. No século XX, com o aumento do capitalismo em todo mundo, as propagandas convenceram que não só as crianças mereciam presentes. Os comerciantes incentivaram a troca de presentes entre os adultos, como forma de aumentar as vendas. A “isca” foi fisgada. Em todo o mundo as pessoas ficam preocupadas em presentear todos os parentes e amigos no Natal. Muitos fazem dívidas enormes nas compras à prazo, e sempre começam o novo ano seriamente endividados. Alguns tentam encontrar base bíblica para os presentes no relato dos magos que presentearam o Senhor com ouro, incenso e mirra. Esta suposta base bíblica é anulada pelos seguintes motivos: primeiro, os magos presentearam apenas o Senhor Jesus; segundo, os magos não presentearam outras pessoas pelo nascimento do Senhor, nem mesmo José e Maria; e, terceiro, os magos não o presentearam pelo seu nascimento, mas porque Jesus era Rei, e havia um costume oriental de que alguém jamais se apresentava diante de um rei com as mãos vazias. Lamentavelmente, o dinheiro gasto com a troca de presentes acaba impedindo as pessoas de dar ofertas especiais nas igrejas ou instituições de caridade por ocasião do Natal – algo que deveria ocorrer ao longo de todo o ano. O resultado é que todos são lembrados, menos o Senhor e aqueles com os quais Ele se identifica (Mt 25:34-46).

O Papai Noel
O personagem Papai Noel foi inspirado em São Nicolau, arcebispo de Mira, no século IV. Nicolau costumava ajudar, anonimamente, quem estivesse em dificuldades financeiras. Foi declarado santo depois que muitos milagres lhe foram atribuídos. Uma das pessoas que ajudaram a dar força à lenda do Papai Noel foi Clemente Clark Moore, um professor de literatura grega de Nova Iorque, que lançou o poema Uma visita de São Nicolau, em 1822, escrito para seus seis filhos. Nesse poema, Moore divulgava a versão de que ele viajava num trenó puxado por renas. Ele também ajudou a popularizar outras características do bom velhinho, como o fato dele entrar pela chaminé. O atual traje vermelho e branco foi criação de um cartunista americano chamado Thomas Nast, que o desenhou assim em 1886, para a edição especial de Natal da revista Harper's Weeklys. No entanto, foi somente a partir de 1931, numa grande campanha promovida pela Coca-Cola, que o papai Noel ficou mundialmente associado às cores vermelho e branco, as mesmas do rótulo desta marca de refrigerante. E, na verdade, o Papai Noel não passa disto: uma figura comercial, que serve aos interesses capitalistas. Sem dúvida, o maior inimigo do verdadeiro Natal não é Mitra, mas a figura deste falso doador de presentes, o Papai Noel. Se, no entanto, tal personagem servir como ponte entre uma cultura natalina e o verdadeiro sentido do Natal, não há problema algum em valer-se da fantasia de um Papai Noel para se anunciar a mensagem viva de Cristo, que é o amor ao próximo.

CONCLUSÃO

Contanto que o nome de Cristo seja engrandecido, seja em 25 de Dezembro ou em qualquer outro dia do ano, nada há de errado em celebrar-se o nascimento do Senhor. Quanto aos costumes natalinos devemos lembrar que também as festas de casamento estão repletas de paganismo e nem por isso os noivos ficam amaldiçoados por causa de suas alianças, do buquê da noiva, ou da chuva de arroz.

Uma resposta bíblica aos que perturbam aqueles que comemoram o Natal poderá ser a mesma que o apóstolo Paulo deixou aos crentes judaizantes:

“Todas as coisas são puras para os puros; todavia, para os impuros e descrentes, nada é puro. Porque tanto a mente como a consciência deles estão corrompidas.” (Tt 1:15)

Portanto, se a sua consciência está tranquila, tenha um feliz Natal!

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