Perseverando até o Fim - Banner

ESTUDO DO SERMÃO PROFÉTICO DE JESUS


1ª Lição

A Queda de Jerusalém
e destruição do Templo de Herodes


Templo de Herodes
Réplica do Templo de Herodes, também chamado de Segundo Templo dos Judeus

Introdução

O que chamamos neste estudo de Sermão Profético de Jesus é o discurso escatológico proferido pelo Senhor, conforme está registrado nos seguintes trechos dos evangelhos sinóticos: Mateus 24; Marcos 13; Lucas 21:5-36 (e 17:20-37).

O evangelho de Mateus (24:3) é o mais esclarecedor no que diz respeito às questões que o Senhor havia respondido em seu discurso, que são as seguintes:

1. Quando Jerusalém ficaria deserta (Mt 23:37-38) e o templo de Herodes seria destruído (Mt 24:2)?

2. Quais os sinais que antecederiam a volta de Cristo (Mt 23:39) e o final dos tempos?


A resposta de Cristo à primeira questão

O templo de Herodes, também chamado de Segundo Templo dos judeus[1], foi destruído no ano 70 d.C. por ocasião da queda de Jerusalém pelos romanos.

Sendo assim, parte dos eventos descritos pelo Senhor no sermão profético já se cumpriu. Os trechos que claramente se referem a isso são:

Mt 24:15-22; Mc 13:14-20 e Lc 21:20-24.

Em algumas edições da Bíblia essa passagem recebe o título de A Grande Tribulação, mas que não deve ser confundida com a grande tribulação mencionada no apocalipse por uma simples razão: a tribulação descrita no sermão profético é um evento local, limitado geograficamente, ocorrendo no território da Judéia (Mt 24:16; Mc 13:14; Lc 21:20-21) e dizendo respeito aos judeus (Lc 21:23-24). A grande tribulação do apocalipse é um evento global e diz respeito aos santos perseguidos em toda a terra, “de todas as nações, tribos, povos e línguas” (Confira Apocalipse 7:9,14).

Queda de Jerusalém

Outras profecias de Jesus a respeito da Queda de Jerusalém

Em Lucas 21:20-24 temos uma clara descrição de que Jerusalém seria tomada por tropas inimigas e de que os judeus seriam dispersos pelas nações da terra até que se cumprisse o tempo determinado por Deus. Há outras passagens onde o Senhor também se refere ao mesmo episódio: Mt 22:7 e 23:35-38; Lc 19:43-44 e 23:28-31.
Ao compararmos as passagens acima temos o seguinte quadro profético:

➣ Cidade cercada por tropas
➣ População massacrada
➣ Cidade incendiada
➣ Ocorreria naquela geração
➣ Sobreviventes levados cativos
➣ Jerusalém ocupada por gentios




O Testemunho de Flávio Josefo

Suposto-Busto-de-Flávio-Josefo O escritor e historiador judeu Flávio Josefo[2], que viveu entre os anos 37 e 103 d.C. foi testemunha ocular da destruição de Jerusalém e do segundo templo. Escreveu duas importantes obras, Antiguidades Judaicas e As Guerras Judaicas. Nesta última, Josefo descreve os horrores profetizados pelo Senhor, que se cumpriram com admirável precisão.



O livramento dos cristãos

Os cristãos que vivam em Jerusalém conseguiram escapar antes que a cidade fosse cercada pelas tropas romanas, que contava com 70 mil legionários. Este cerco, que durou cerca de sete meses, impediu a entrada de água e comida na cidade, ocasionando uma situação de carestia e calamidade jamais vista. Mas, com relação aos cristãos, Eusébio de Cesaréia[3] nos deixou o seguinte relato: “As pessoas da igreja de Jerusalém, que por meio de um oráculo receberam a ordem dada por revelação antes da guerra, aos da cidade que foram dignos disso, foram viver em uma das cidades da Peréia que se chama Pella” (História Eclesiástica III v.3). Epifânio[4] corrobora este relato, afirmando que os cristãos obedeceram às orientações deixadas por Jesus e deixaram Judeia antes que os romanos estabelecessem o cerco contra Jerusalém (Ag. Her. XXIX.7).


A completa destruição do Templo de Herodes

Com a tomada de Jerusalém pelos romanos o templo foi completamente destruído, cumprindo-se a profecia do Senhor, de que não ficaria pedra sobre pedra (Mt 24:1-2). O chamado Muro das Lamentações não é parte do templo, mas um muro de contenção do mesmo, sendo a única lembrança que restou da majestosa obra de Herodes. Sendo assim, a primeira pergunta dos apóstolos, que se referia à destruição do templo, foi claramente respondida pelo Senhor e concretizou-se menos de 40 anos após o seu discurso profético.

Destruição do Templo de Herodes
Francesco Hayez, A destruição do Templo de Jerusalém (1867)

Três linhas escatológicas a respeito da Grande Tribulação

1. Ocorreu no ano 70 e nunca mais ocorrerá nada parecido

Os apóstolos queriam saber a respeito da destruição do templo, o qual já foi destruído no ano 70; logo, esta grande tribulação já ocorreu e, como não existe mais templo em Jerusalém, não poderá ocorrer novamente.

2. Ainda não ocorreu, mas se refere ao futuro

Para se sustentar essa tese é necessário ignorar-se completamente a primeira pergunta dos apóstolos, a qual se referia especificamente ao templo de Herodes e não a outra coisa qualquer.

3. Ocorreu em 70, mas ocorrerá novamente no final dos tempos

Essa linha escatológica é interessante. Ela não nega que os trechos referentes à Grande Tribulação dizem respeito ao que ocorreu no ano 70 em Jerusalém, mas acrescenta que algo semelhante tornará a ocorrer. Os que pensam assim dividem-se em dois grupos:

a) Os que interpretam que o abominável da desolação no lugar santo (Mt 24:15) seria a apostasia fazendo parte da igreja, uma vez que o lugar santo agora somos nós, o Corpo de Cristo. Neste caso, porém, tudo que o Senhor disse precisaria ser espiritualizado, como as questões referentes à Judéia, às lactantes, ao inverno e ao dia de sábado.
b) Os que acreditam que ainda haverá um terceiro templo, no qual entraria o abominável da desolação[5], que seria o próprio anticristo, exigindo adoração para si mesmo.


Conclusão

Um trecho do sermão profético (Mt 24:15-22; Mc 13:14-20 e Lc 21:20-24) se refere a algo que ocorreu no ano 70 d.C. Este evento foi a Queda de Jerusalém e consequente destruição completa do templo de Herodes. De fato, foi uma grande tribulação. Segundo Flávio Josefo, testemunha ocular desse episódio, jamais se viu algo parecido sobre a face da terra. E, segundo o próprio Senhor Jesus, jamais haverá nada igual (Mt 24:21). A expectativa de que algo parecido ocorra novamente pode não passar de mera especulação. Haverá outra grande tribulação, mas com características diferentes desta que o Senhor proferiu a respeito do templo e do cerco da cidade que antecederia sua destruição. A próxima grande tribulação será global, atingindo todas as nações da terra, e veremos mais a frente que o Senhor Jesus também profetizou a respeito dela.


Suplemento

[1] Segundo Templo: Houve um primeiro templo, que foi construído por Salomão, mas destruído pelos babilônicos no século VI a.C. Somente no ano 19 a.C. o rei Herodes, o Grande, iniciou a reconstrução do templo, que ficou ainda mais majestoso que o anterior.

[2] Flávio Josefo: As duas obras foram traduzidas para o português e reunidas em um só volume, intitulado “A História dos Hebreus” e publicado pela editora CPAD. O texto já está disponível na internet e recomendamos a leitura dos capítulos 20, 21 e 26 do livro VI (dos parágrafos 458 a 459 e 465 a 469) Na versão online em PDF, a partir da página 1402:

http://www.escoladabiblia.net.br/arquivos/arquivos5/AHistoriaDosHebreus.pdf

Um resumo dos fatos também pode ser visto no link a seguir:

http://www.estudosdabiblia.net/2002322.htm

[3] Eusébio de Cesaréia: Bispo de Cesaréia, que viveu entre 270 e 340 d.C. Conhecido, sobretudo como o primeiro historiador do cristianismo, mas também como o filósofo maior da Igreja antiga.

[4] Epifânio de Salamina: Bispo de Salamina, na ilha de Chipre, que viveu entre 310 e 403 d.C. Ganhou reputação como forte defensor da ortodoxia cristã, tendo escrito algumas obras importantes, especialmente no combate às heresias.

[5] Abominável da Desolação: Essa passagem (Mt 24:15; Mc 13:14) se refere a Daniel 11:31, que fala da abominação desoladora estabelecida após a profanação do santuário. De fato, em 167 a.C., um governador grego chamado Antíoco Epifânio preparou um altar a Zeus sobre o altar dos holocaustos no templo judeu em Jerusalém e ainda sacrificou um porco no mesmo altar. Sendo assim, Jesus fez referência a algo que já ocorrera para mostrar que algo parecido aconteceria no futuro. Isto serviria de sinal para que fugissem rapidamente da Judéia, onde estava Jerusalém, a qual foi cercada pelos exércitos romanos no ano 70 d.C. Note que Lucas 21:20 aponta para isso ao invés de falar sobre o abominável da desolação. Por outro lado, Daniel também parece fazer referência ao abominável da desolação no cap. 9:27. Mas essa previsão não ocorreu em 167 a.C., pois Antíoco não confirmou uma aliança com Israel por sete anos – interpretação do que seria uma semana profética. Segundo muitos estudiosos de escatologia, será o anticristo que, no final dos tempos, deverá estabelecer uma aliança com Israel por sete anos e então quebrá-la ao fazer algo parecido com a abominação da desolação no Templo de Jerusalém, tal como exigir adoração a si mesmo.

VÍDEOS EXIBIDOS EM AULA

Destruição de Jerusalém (Trecho até 1:22 min)
https://youtu.be/HOF5b11g7Ao

A Grande Tribulação (Trecho: de 2:30 a 4:30 min)
https://youtu.be/ofrzZZDXrTY

o Terceiro Templo e o Messias Judeu
https://youtu.be/02FQyyu6hvQ

Lições
1  |  2  |  3  |  4  |  5  |  6  |  7  |  8  |  9




Igreja Bíblica Cristã

Sede: Av. Alzira Vargas, 863
Laranjal - São Gonçalo - RJ

Compartilhe!

Contato

contato@igrejabiblicacrista.org
+55 (21) 3606-5614

2014 - Capriles Web Designer
© Todos os direitos reservados.