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ESTUDO DO SERMÃO PROFÉTICO DE JESUS

9ª Lição

PERSEGUIÇÃO E EVANGELIZAÇÃO GLOBAL (2/3)


Introdução

Dando seguimento à análise do trecho a que chamamos de Perseguição e Evangelização Global, veremos agora que a previsão do Senhor acerca disso continuou se cumprindo ao longo dos séculos. Ou seja, não somente os apóstolos e primeiros discípulos, que vimos na lição anterior, arriscaram suas vidas por amor a Cristo e seu evangelho. Por todos os séculos que se seguiram os demais convertidos a Cristo continuaram evangelizando e sendo perseguidos por causa de sua fé. Mas o Espírito Santo agia poderosamente em cada um deles, os direcionando, encorajando e inspirando na pregação do evangelho. Esse agir do Espírito Santo é o destaque na presente lição.

Comparação dos textos paralelos

Comparação dos textos paralelos

ATOS DO ESPÍRITO SANTO

O livro de Atos dos Apóstolos nos revela o inicio de uma perseguição contra o evangelho que se prolongaria por todos os séculos. Muitos já disseram que este livro deveria chamar-se Atos do Espírito Santo, pois, de fato, o Espírito Santo é o seu protagonista. Pedro, João, Paulo, Apolo e os demais cristãos de Atos foram apenas os instrumentos utilizados por Deus na evangelização do mundo (cfr. 1Co 3:5). Exatamente conforme profetizou o Senhor, foi o Espírito Santo que deu “boca e sabedoria” aos seus discípulos na proclamação e defesa do evangelho (Cfr. Mc 13:11; Lc 21:14-15). Temos vários relatos disso em Atos, como por exemplo, no capítulo 4, onde Pedro e João, mesmo presos e ameaçados, mantinham a intrepidez, pois estavam cheios do Espírito Santo. Ao serem soltos, reuniram-se com os irmãos e oraram pedindo ainda mais intrepidez para que continuassem realizando a missão de evangelizar. O resultado foi que: “Tendo eles orado, tremeu o lugar onde estavam reunidos, todos ficaram cheios do Espírito Santo e, com intrepidez, anunciavam a palavra de Deus.” (Atos 4:31) A respeito de Estêvão, o primeiro mártir, nos é revelado que “não podiam resistir à sabedoria e ao Espírito, pelo qual ele falava.” (Atos 6:10)

OS ATOS CONTINUAM

Certamente não é por acaso que o livro de Atos termina sem uma conclusão, como se fosse ainda continuar sendo escrito. De fato, o Espírito Santo seguiu agindo por todos os séculos, inspirando e movendo servos de Cristo a proclamar o evangelho até os confins da terra. Os Atos do Espírito Santo continuaram (e continuam) sendo escritos. Da mesma forma, continuaram (e continuam) ocorrendo perseguições contra sua mensagem, o evangelho – o qual não mudou, mas aponta para Jesus Cristo como nosso único Senhor e Salvador. Portanto, onde quer que essa verdade seja vivida e pregada, haverá também algum tipo de perseguição. O que vimos na lição anterior em relação aos apóstolos, sempre continuou ocorrendo aos servos de Deus em todas as épocas.

Expansão da Igreja
Expansão do Cristianismo até o século IX

PERSEGUIDOS PELO IMPÉRIO

Durante os primeiros três séculos depois de Cristo a perseguição foi bastante intensa e, em diversos períodos, promovida pelo Império Romano, o qual se estendia por toda a Europa, norte da África e parte da Ásia – exatamente as regiões onde viviam os primeiros cristãos. A proclamação de que Jesus é o Senhor logo entraria em conflito com alguns imperadores que exigiam veneração divina. Além disso, o cristianismo era um movimento novo, estranho aos romanos e, sendo assim, não contava com o mesmo status do judaísmo, que era uma religião permitida pelo Império. Os cristãos eram acusados de canibalismo – pois havia o boato de que comiam corpos e bebiam o sangue em suas reuniões – e culpados por qualquer catástrofe que ocorria – uma suposta ira dos deuses por causa dos cristãos que não os adoravam.

AS DEZ PERSEGUIÇÕES IMPERIAIS E SEUS MÁRTIRES

Ao longo de mais de 200 anos, uma dezena de imperadores romanos impuseram leis que, em menor ou maior grau de punição, proibiam a prática da fé cristã:

1º - Imperador Nero (ano 64)
Ocorreu apenas em Roma e nas adjacências. Os cristãos foram usados como bodes expiatórios do incêndio de Roma. Entre as medidas sádicas estava queimar os cristãos vivos para iluminar os jardins de Nero.
Mártires notáveis: apóstolos Pedro e Paulo.

2º - Domiciano (90-96)
Perseguição caprichosa, esporádica e centrada em Roma e na Ásia Menor. Os cristãos foram perseguidos por se recusarem a oferecer incenso em homenagem á inteligência do imperador.
Mártires mais conhecidos: Clemente de Roma e apóstolo João, que sofreu exílio.

3º - Trajano (98-117)
Perseguição esporádica. Os cristãos eram confundidos com outros grupos, cujo patriotismo era tido por suspeito. Os cristãos deviam ser executados sempre que encontrados, sem precisarem ser procurados.
Mártires mais conhecido: Inácio de Antioquia, Simeão, Zózimo e Rufo.

4º - Adriano (117-138)
Prosseguiu com a política de Trajano.
Mártir mais conhecido: Telésforo

5º - Marco Aurélio (161 a 180)
O imperador era estóico e oponha-se ao cristianismo por razões filosóficas. Os cristãos eram responsabilizados pelas calamidades naturais.
Mártires mais conhecido: Policarpo, Blandina, Justino Mártir e Potino.

6º - Septímio Severo (202 a 211)
Proibida a conversão ao cristianismo.
Mártires mais conhecidos: Leônidas, Irineu, Felicidade e Perpétua.

7º - Maximino (235 a 236)
Ordenou-se a execução dos clérigos cristãos. Os cristãos sofreram oposição por terem apoiado o antecessor do imperador, a quem este havia assassinado.
Mártires mais conhecidos: Úrsula, Hipólito e Ponciano.

8º - Décio (ano 249 a 251)
Primeira perseguição que abrangeu todo o império. Era obrigatória a queima de incenso em homenagem à inteligência do imperador. O retorno entusiasmado ao paganismo exigia o total extermínio do cristianismo.
Mártires mais conhecidos: Fabiano, Alexandre de Jerusalém, Apolônia, Polidoro e Ágata.

9º - Valeriano (ano 257 a 260)
As propriedades dos cristãos foram confiscadas. Os cristãos foram proibidos de se reunir.
Mártires mais conhecidos: Orígenes, Cipriano, Sixto II, Lourenço.

10º -Diocleciano (ano 284 a 305)
A pior perseguição de todas. Templos foram destruídos e escrituras sagradas foram queimadas. Todos os direitos civis dos cristãos foram suspensos. Exigia-se sacrifício aos deuses.
Mártires mais conhecidos: Maurício, Albano.
Obs.: Muitos dos mártires que a Igreja Católica Apostólica Romana canonizou como santos morreram durante esta perseguição, tais como São Jorge, São Sebastião, São Cosme e Damião, Santo Expedito, Santa Luzia, Santa Catarina, entre outros.

A SEMENTE DA IGREJA

A semente da Igreja Quanto mais a igreja era perseguida, tanto mais ela crescia e se fortalecia. Por volta do ano 200, o escritor cristão Tertuliano declarou que “O sangue dos mártires é a semente da Igreja” – querendo com isso dizer que a perseguição impulsionava o cristianismo a se expandir. De tal forma isso era verdade que, no ano de 313, o impensável aconteceu: o próprio imperador, Constantino Magno, declarou-se cristão. Supostamente, chegava ao fim a perseguição imperial contra a igreja. Muitos ainda questionam se houve realmente uma conversão, ou se Constantino queria somente usar a fé cristã para reunificar um império em conflito e decadência. O fato é que ele buscou a unidade entre as diversas ramificações cristãs, convocando os bispos para o concílio de Nicéia, em 325, onde doutrinas foram estabelecidas para todas as igrejas. No ano de 380, outro imperador, Teodósio, foi ainda mais longe e tornou o cristianismo a religião oficial do Império Romano, obrigando todos a se “converterem” a Cristo. Assim, de uma hora pra outra, os adeptos de todo tipo de crença se viram obrigados a adaptar suas práticas pagãs aos cultos cristãos, trazendo um sincretismo religioso estranho e nocivo ao puro e simples evangelho de Cristo. Uma nova “igreja” se formava, dando início a um novo tipo de perseguição.

PERSEGUIDOS PELA “IGREJA”

A aliança entre o Estado e a Igreja, iniciada por Constantino, trouxe uma nova espécie de perseguição aos verdadeiros servos de Cristo. A “igreja” ficava cada vez mais corrompida pelo paganismo, mas quem discordasse dos desvios doutrinários que o sistema religioso estatal impunha era taxado de herege, sofrendo diferentes formas de perseguição ao longo dos séculos. Os cristãos tinham que obedecer cegamente ao bispo de Roma, chamado de papa, mesmo que este contrariasse as Escrituras Sagradas. A perseguição contra os “hereges” tornou-se oficial em 20 de abril de 1233 pelo papa Gregório IX, que estabeleceu a chamada Santa Inquisição, o programa e encargo oficial da Igreja Católica responsável por encontrar, arrancar e punir todos os heréticos e outros culpados de discordar da doutrina Católica. A Inquisição torturava e executava as pessoas acusadas de cometer crimes “hediondos” tais como recusar-se a orar pelos mortos, recusar-se a assistir missas, ensinar que apenas os crentes deveriam ser Santa Inquisição batizados e recusar-se a acreditar no purgatório depois da morte. Ela teve duas versões: a medieval, dos séculos XIII e XIV, e a feroz Inquisição moderna, concentrada em Portugal e Espanha, que durou do século XV ao XIX. Segundo Thomas Armitage, em sua História Sobre os Batistas, quinze milhões de pessoas foram cruelmente martirizadas pela Igreja Católica Romana durante a Idade Média. A “igreja” oficial se achava no direito de matar em nome de Cristo, algo totalmente contrário ao que o Senhor Jesus nos ensinou.

MÁRTIRES PRÉ-REFORMADORES

Dentre os incontáveis discípulos de Cristo que sofreram martírio durante a Idade Média, alguns se tornaram famosos, sendo chamados de pré-reformadores, pois antecederam a Reforma Protestante do século XVI, liderada por Martinho Lutero.

John Wycliffe (1328 - 1384)
John Wycliffe Pregador e reformador na Inglaterra. Era a favor da Bíblia como autoridade, e não o papa. Foi professor na Universidade de Oxford. Fez a primeira tradução completa do Novo Testamento para o Inglês. Queria reformar a Igreja. Era contra a venda de indulgências e, nessa questão, não contou com o apoio dos reis, que o protegeram do papa em outras ocasiões. Queria abolir as ordens religiosas. Opôs-se aos dogmas da Igreja Romana com idéias revolucionárias. Atacou a autoridade papal, colocando Cristo, e não o papa, como chefe da Igreja e a Bíblia, e não a Igreja, como a única autoridade para o crente. Segundo ele, a Igreja Romana deveria estar dentro dos padrões do Novo Testamento. Atacou também os poderosos senhores da Igreja e do Estado, pois tanto o poder espiritual quanto o temporal deveriam obedecer a limites. Para espalhar a Bíblia mais depressa, Wycliffe usou os serviços de seus amigos, como os irmãos Lollardos. Muitos desses amigos eram estudantes em Oxford. Vestidos de roupas simples, descalços, de cajado na mão e dependendo de esmolas, os amigos de Wycliffe percorreram toda a lnglaterra conduzindo seus manuscritos e pregando o evangelho! Em 1382, suas idéias foram condenadas em Londres. Então, foi obrigado a retornar para seu pastorado em Lutterwoth, cuja Paróquia lhe fora concedida pela coroa em reconhecimento pelos serviços que ele prestou. Wycliffe morreu em 1384, devido a uma embolia. Por estar em comunhão com a Igreja, foi enterrado em terra consagrada. Mas, anos depois, foi condenado como herege pelo Concílio de Constança, sendo seus restos mortais exumados e queimados. Wycliffe ficou também conhecido como “A Estrela d’Alva da Reforma”.

John Huss (1373-1415)
John Huss Reformador tcheco foi reitor na Universidade de Praga, na Boêmia (parte da Tchecoslováquia). Pregou a Bíblia como autoridade. Suas pregações reformistas foram influenciadas pelos ensinos de Wycliffe. Suas idéias foram consideradas heréticas, obrigando-o a comparecer ao Concílio de Constança. Como apoiava as idéias de Wycliffe, foi proibido de pregar pelo papa, mas o desobedeceu. Foi convocado pelo papa para comparecer a Roma. Recusou-se e foi excomungado. Mas como contava com o apoio dos reis e de quase toda a Boêmia, continuou pregando sobre a Reforma. Opôs-se às indulgências, pois ninguém podia vender uma coisa que vem unicamente de Deus. Por ser considerado um herege, deixou Praga e refugiou-se no Sul da Boêmia, onde continuou trabalhando em favor da Reforma e escrevendo obras. Foi chamado a comparecer ao Concílio de Constança para defender-se pessoalmente. Para garantir sua segurança, contou com um salvo-conduto do imperador Sigismundo. Mas isso não impediu ao Papa João XXI de tratá-lo como um prisioneiro. Foi levado à assembléia acorrentado. Mesmo possuindo um certificado do inquisidor da Boêmia, declarando sua inocência, foi acusado de herege. Caso se retratasse no Concílio, estaria confessando ser um herege e condenando seus seguidores. Então, não o fez. Entregou sua causa a Jesus Cristo, o juiz Todo-Poderoso. Foi encerrado na prisão. Por fim, foi levado à fogueira usando uma coroa de papel decorada com diabinhos e, no caminho, teve de ver seus livros sendo queimados. Em sua última oração, disse: “Senhor Jesus, por ti sofro com paciência esta morte cruel. Rogo-te misericórdia por meus inimigos”. Huss morreu entoando salmos.

Gravura John Huss
Gravura da Idade Média, representando o martírio de John Huss.

Jerônimo Savonarola Jerônimo Savonarola (1452-1498)
Nascido em Florença, Itália, pregava, como um dos profetas hebreus, para vastas multidões que enchiam sua catedral. Seus sermões eram contra a sensualidade e o pecado da cidade e os vícios do papa. A cidade penitenciou-se e se reformou, mas o Papa Alexandre VI procurou, de todos os modos, silenciar o virtuoso pregador (tentou até suborná-lo com o chapéu cardinalício), mas em vão. Foi enforcado e queimado na grande Praça de Florença. Isso aconteceu dezenove anos antes das 95 teses de Lutero.

William Tyndale (1484-1536)
William Tyndale Nascido em 1484, na parte oeste da Inglaterra, em um local próximo à fronteira do país de Gales, Tyndale graduou-se na Universidade de Oxford em 1515, onde estudou as sagradas escrituras no hebraico e no grego. Aos trinta anos, fez uma promessa que haveria de traduzir a Bíblia para o moderno inglês para que todo o povo, desde o camponês até a corte real, pudesse ler e compreender as Escrituras em sua própria língua. Isso porque a Igreja Católica proibia severamente qualquer pessoa leiga de ler a Bíblia, cuja interpretação era feita para fins políticos e financeiros. A proibição da leitura da Bíblia agravou-se de tal maneira que mesmo se uma criança recitasse a oração do “Pai Nosso” em inglês toda a sua família era condenada a ser queimada na estaca. Em 1524 Tyndale se estabeleceu em Hamburgo, na Alemanha, onde, provavelmente, conheceu Martinho Lutero, pois eram contemporâneos. Ambos traduziram o Novo Testamento baseado no Manuscrito Grego, compilado por Erasmo, em 1516. William Tyndale concluiu a tradução do Novo Testamento em 1525. Quinze mil cópias em seis edições foram impressas e contrabandeadas por comerciantes para a Inglaterra entre 1525 e 1530. As autoridades da igreja romana deram ordem para confiscar e queimar todas as cópias da tradução de Tyndale, porém eles não podiam parar o fluxo da entrada de Bíblias vindas da Alemanha para a Inglaterra. Até mesmo na Escócia, mercadores escoceses estavam levando a Bíblia para o seu povo. Mas o próprio William não podia regressar à Inglaterra, pois estava sendo procurado como fora-da-lei. Seus escritos e sua tradução do Novo Testamento haviam sido legalmente proibidos. Em maio de 1535, foi preso e levado a um castelo perto de Bruxelas, onde ficou aprisionado por mais de um ano. Williarn Tyndale foi condenado à morte por haver colocado as Escrituras na mão do povo inglês. No dia 6 de outubro de 1536 foi estrangulado e, em seguida, queimado na estaca. O ato ocorreu publicamente. Suas últimas palavras foram: "Senhor, abre os olhos do rei da Inglaterra!", o que de fato aconteceu anos depois.

Conclusão

Não nos detivemos em maiores detalhes – como as Cruzadas, por exemplo – porque o propósito de nossas lições não é dar uma aula de história, mas sim demonstrar que tudo quanto o Senhor proferiu em seu sermão escatológico tem se cumprido com impressionante exatidão. Sendo assim, fizemos apenas um breve resumo da evangelização e perseguição do evangelho ao longo dos séculos. Em nossa próxima lição veremos que os verdadeiros cristãos continuam sendo perseguidos e entenderemos por que o evangelho tem se tornado cada vez mais rejeitado pela sociedade atual. Esse repúdio mundial resultará exatamente naquilo que o Senhor previu: uma perseguição global, onde os verdadeiros cristãos serão “odiados de todas as nações”. E já podemos avistar essa perseguição no horizonte.

Lições
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