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ESTUDO DO SERMÃO PROFÉTICO DE JESUS

8ª Lição

PERSEGUIÇÃO E EVANGELIZAÇÃO GLOBAL (1/3)


Introdução

Entraremos agora em um novo trecho do sermão escatológico, ao qual chamaremos de "Perseguição e Evangelização Global". O mesmo será analisado nesta e nas próximas duas lições. O quadro abaixo mostra em destaque o que veremos a princípio:

Comparação dos textos paralelos

Comparação dos textos paralelos

ANTES E TAMBÉM DEPOIS

O evangelho segundo Lucas é o único que inicia esse trecho do discurso declarando que a perseguição ocorrerá antes do período chamado de Princípio das Dores. No entanto, Mateus nos faz entender que a perseguição acontecerá logo após o mesmo período. Não se trata de contradição, mas de enfoques diferentes. Ao iniciar esse trecho com o termo “então” Mateus o liga ao Princípio das Dores e revela que esse período se encerrará com uma forte perseguição aos cristãos – forte porque será global, por parte “de todas as nações”. Sendo assim, a perseguição sobre a qual discorre o primeiro evangelho é concernente ao tempo do fim, época na qual também a iniqüidade se multiplicará e “o amor se esfriará de quase todos.” Lucas, por outro lado, se refere às perseguições que ocorreriam por todo o tempo, desde o período apostólico até antes do Princípio das Dores. Portanto, quando lemos esses evangelhos em paralelo, percebemos que o Senhor alertou seus discípulos de que logo eles começariam a ser perseguidos (Lucas) e de que no final dos tempos essa perseguição seria mais intensa, porque seria global (Mateus).

POR CAUSA DO EVANGELHO

Quanto a Marcos, temos um detalhe interessante, que posiciona sua descrição tanto para antes quanto para depois do Princípio das Dores. Isso dependerá de qual manuscrito grego se escolha traduzir, pois há variantes no versículo 10. Alguns manuscritos antigos não trazem a frase “a todas as nações”, mas apenas dizem que “é necessário que primeiro o evangelho seja pregado”. Neste caso, fica mais claro que a perseguição sempre ocorrerá, seja qual for a época, e de que será desencadeada por causa da pregação do evangelho. Porém, a maioria das versões professa que, antes da referida perseguição, primeiro o evangelho será pregado “a todas as nações”, trazendo a previsão do Senhor para o tempo do fim. Essa dupla possibilidade deve ser uma providencia divina, pois entre os extremos opostos de Mateus e Lucas temos o equilíbrio de Marcos, consolidando a percepção de que os discípulos de Cristo sempre serão perseguidos.

“ESTAI VÓS DE SOBREAVISO”

O Senhor nunca escondeu de seus discípulos de que eles seriam perseguidos, mas por diversas vezes nos preveniu acerca disso:

“Eis que eu vos envio como ovelhas para o meio de lobos; sede, portanto, prudentes como as serpentes e símplices como as pombas. E acautelai-vos dos homens; porque vos entregarão aos tribunais e vos açoitarão nas suas sinagogas; por minha causa sereis levados à presença de governadores e de reis, para lhes servir de testemunho, a eles e aos gentios.” (Mateus 10:16-18)

“Basta ao discípulo ser como o seu mestre, e ao servo, como o seu senhor. Se chamaram Belzebu ao dono da casa, quanto mais aos seus domésticos?” (Mateus 10:25)

“Lembrai-vos da palavra que eu vos disse: não é o servo maior do que seu senhor. Se me perseguiram a mim, também perseguirão a vós outros; se guardaram a minha palavra, também guardarão a vossa.” (João 15:20)

“Eles vos expulsarão das sinagogas; mas vem a hora em que todo o que vos matar julgará com isso tributar culto a Deus. Isto farão porque não conhecem o Pai, nem a mim.” (João 16:2-3)

Os apóstolos também nos advertiram de que nossa fidelidade a Cristo e seu evangelho nos traria perseguições:

“E, tendo anunciado o evangelho naquela cidade e feito muitos discípulos, voltaram para Listra, e Icônio, e Antioquia, fortalecendo a alma dos discípulos, exortando-os a permanecer firmes na fé; e mostrando que, através de muitas tribulações, nos importa entrar no reino de Deus.” (Atos 14:21-22)

“e enviamos nosso irmão Timóteo, ministro de Deus no evangelho de Cristo, para, em benefício da vossa fé, confirmar-vos e exortar-vos, a fim de que ninguém se inquiete com estas tribulações. Porque vós mesmos sabeis que estamos designados para isto; pois, quando ainda estávamos convosco, predissemos que íamos ser afligidos, o que, de fato, aconteceu e é do vosso conhecimento.” (1 Tessalonicenses 3:2-4)

“a tal ponto que nós mesmos nos gloriamos de vós nas igrejas de Deus, à vista da vossa constância e fé, em todas as vossas perseguições e nas tribulações que suportais, sinal evidente do reto juízo de Deus, para que sejais considerados dignos do reino de Deus, pelo qual, com efeito, estais sofrendo” (2 Tessalonicenses 1:4-5)

“Amados, não estranheis o fogo ardente que surge no meio de vós, destinado a provar-vos, como se alguma coisa extraordinária vos estivesse acontecendo; pelo contrário, alegrai-vos na medida em que sois co-participantes dos sofrimentos de Cristo, para que também, na revelação de sua glória, vos alegreis exultando. Se, pelo nome de Cristo, sois injuriados, bem-aventurados sois, porque sobre vós repousa o Espírito da glória e de Deus. Não sofra, porém, nenhum de vós como assassino, ou ladrão, ou malfeitor, ou como quem se intromete em negócios de outrem; mas, se sofrer como cristão, não se envergonhe disso; antes, glorifique a Deus com esse nome.” (1Pedro 4:12-16)

“Ora, todos quantos querem viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos.” (2 Timóteo 3:12)

Os próprios apóstolos foram os primeiros a sofrer perseguição e martírio por amor de Cristo e seu evangelho:

“Chamando os apóstolos, açoitaram-nos e, ordenando-lhes que não falassem em o nome de Jesus, os soltaram. E eles se retiraram do Sinédrio regozijando-se por terem sido considerados dignos de sofrer afrontas por esse Nome. E todos os dias, no templo e de casa em casa, não cessavam de ensinar e de pregar Jesus, o Cristo.” (Atos 5:40-42)

“Levantou-se a multidão, unida contra eles [Paulo e Silas], e os pretores, rasgando-lhes as vestes, mandaram açoitá-los com varas. E, depois de lhes darem muitos açoites, os lançaram no cárcere, ordenando ao carcereiro que os guardasse com toda a segurança. Este, recebendo tal ordem, levou-os para o cárcere interior e lhes prendeu os pés no tronco.” (Atos 16:22-24)

“São ministros de Cristo? (Falo como fora de mim.) Eu ainda mais: em trabalhos, muito mais; muito mais em prisões; em açoites, sem medida; em perigos de morte, muitas vezes. Cinco vezes recebi dos judeus uma quarentena de açoites menos um; fui três vezes fustigado com varas; uma vez, apedrejado; em naufrágio, três vezes; uma noite e um dia passei na voragem do mar; em jornadas, muitas vezes; em perigos de rios, em perigos de salteadores, em perigos entre patrícios, em perigos entre gentios, em perigos na cidade, em perigos no deserto, em perigos no mar, em perigos entre falsos irmãos; em trabalhos e fadigas, em vigílias, muitas vezes; em fome e sede, em jejuns, muitas vezes; em frio e nudez.” (2 Coríntios 11:23-27)

INCONTÁVEIS MÁRTIRES

O termo mártir provém do grego martus que significa testemunha. Segundo o dicionário Strong, esse termo tem um sentido legal (como testemunhar em juízo), histórico (alguém que presencia algo) e ético (“aqueles que por seu exemplo provaram a força e genuidade de sua fé em Cristo por sofrer morte violenta”). Quando o Senhor disse “sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra” certamente o sentido era completo: tanto legal (“vos entregarão aos tribunais” Mt 13:9), quanto histórico (“porque terás de ser sua testemunha diante de todos os homens, das coisas que tens visto e ouvido” At 22:15) e também ético (“Pois estou pronto não só para ser preso, mas até para morrer em Jerusalém pelo nome do Senhor Jesus.” At 21:13).

Para um genuíno discípulo de Jesus Cristo não há nada mais glorioso que dar a própria vida por amor ao seu Senhor. A verdadeira fé se comprova na certeza que temos da nossa salvação, conquistada por Jesus na cruz do calvário, razão pela qual não devemos temer a morte, mas nos dispormos a dar nossa vida pela verdade do evangelho. A certeza que Paulo tinha da vida eterna o fazia dizer: “para mim, o viver é Cristo, e o morrer é lucro.” (Fp 1:21) Ao final de seus dias, encarcerado e aguardando por sua execução, o mesmo apóstolo escreveu: “Quanto a mim, estou sendo já oferecido por libação, e o tempo da minha partida é chegado. Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé. Já agora a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, reto juiz, me dará naquele Dia; e não somente a mim, mas também a todos quantos amam a sua vinda.” (2 Tm 4:6-8)

O primeiro dos mártires cristãos foi Estêvão, um dos sete escolhidos para cuidar da repartição de alimentos na igreja apostólica. O relato de seu martírio está registrado no livro de Atos (cap.7), assim como o de Tiago, apóstolo que foi o segundo a dar sua vida por amor a Cristo (Atos 12:1-2). Desde então, milhões de cristãos foram (e continuam sendo) mártires do Senhor.

Estevão

O MARTÍRIO DOS APÓSTOLOS

Não consta do livro de Atos a forma como os demais apóstolos morreram, mas a tradição cristã assevera que cada uma deles, assim como Tiago, também sofreu martírio, glorificando a Cristo pela forma como adormeceram. A exceção parece ser o apóstolo João, como veremos na listagem a seguir [41]:

1. SIMÃO PEDRO

Simão Pedro Entre muitos outros santos, o bem-aventurado apóstolo Pedro foi condenado a morte e crucificado, como alguns escrevem, em Roma; embora outros, e não sem boas razões, tenham dúvidas a esse respeito. Hegéssipo diz que Nero buscou razões contra Pedro para dá-lhe morte; e que quando o povo percebeu, rogaram-lhe insistentemente que fugisse da cidade. Pedro, ante a insistência deles, foi finalmente persuadido e se dispus a fugir. Porém, chegando até a porta viu o Senhor Cristo acudindo a ele e, adorando-o, lhe disse: "Senhor, aonde vãs?" ao que ele respondeu: "A ser de novo crucificado". Com isto, Pedro, percebendo que se referia a seu próprio sofrimento, voltou à cidade. Jerônimo diz que foi crucificado cabeça para abaixo, com os pés para cima, a petição dele, porque era, disse, indigno de ser crucificado da mesma forma que seu Senhor.

André 2. ANDRÉ

Irmão de Pedro, predicou o evangelho a muitas nações da Ásia; mas ao chegar a Edessa foi apreendido e crucificado numa cruz cujos extremos foram fixados transversalmente no chão. Daí a origem do termo de Cruz de Santo André.


3. TIAGO O MAIOR

Tiago, filho de Zebedeu, irmão mais velho de João e parente de nosso Senhor, porque sua mãe Salome era prima irmã da Virgem Maria. Não foi até dez anos depois da morte de Estevão que teve lugar este segundo martírio. Aconteceu que tão pronto como Herodes Agripa foi designado governador da Judéia que, com o propósito de congraçar-se com os judeus, suscitou uma intensa perseguição contra os cristãos, decidindo dar um golpe eficaz, e lançando-se contra seus dirigentes. Não se deveria passar por alto o relato que dá um eminente escritor primitivo, Clemente de Alexandria. Nos diz que quando Tiago estava sendo conduzido ao lugar de seu martírio, seu acusador foi levado ao arrependimento, caindo a seus pés para pedi-lhe perdão, professando-se cristão e decidindo que Tiago não receberia sozinho a coroa do martírio. Por isso, ambos foram decapitados juntos. Assim recebeu, resoluto e bem disposto, o primeiro mártir apostólico aquele cálice que ele tinha dito ao Salvador que estava disposto a beber. Timão e Parmenas sofreram o martírio por volta daquela época; o primeiro em Filipos, e o segundo na Macedônia. Estes acontecimentos tiveram lugar no 44 d.C.

4. JOÃO

O "discípulo amado" era irmão de Tiago o Maior. As igrejas de Esmirna, Sardes, Pérgamo, Filadélfia, Laodicéia e Tiatira foram fundadas por ele. Foi enviado de Éfeso a Roma, onde se afirma que foi lançado num caldeiro de óleo fervendo. Escapou milagrosamente, sem dano algum. Domiciano desterrou posteriormente na ilha de Patmos, onde escreveu o livro do Apocalipse. Nerva, o sucessor de Domiciano, o libertou. Foi o único apóstolo que escapou de uma morte violenta.

5. FELIPE

Nasceu em Betsaida da Galiléia, e foi chamado primeiro pelo nome de "discípulo". Trabalhou diligentemente na Ásia Superior, e sofreu o martírio em Heliópolis, na Frigia. Foi acoitado, encarcerado e depois crucificado, no 54 d.C.

6. BARTOLOMEU

Predicou em vários países, e tendo traduzido o Evangelho de Mateus na linguajem da Índia, o propalou naquele país. Finalmente foi cruelmente açoitado e logo crucificado pelos agitados idólatras.

7. TOMÉ

Chamado Dídimo, predicou o Evangelho em Partia e na Índia, onde por ter provocado a fúria dos sacerdotes pagãos, foi martirizado, sendo atravessado com uma lança.

8. MATEUS

Sua profissão era arrecadador de impostos, e tinha nascido em Nazaré. Escreveu seu evangelho em hebraico, que foi depois traduzido ao grego por Tiago o Menor. Os cenários de seus trabalhos foram Partia e a Etiópia, país no que sofreu o martírio, sendo morto com uma lança na cidade de Nadaba no ano 60 d.C.

9. TIAGO FILHO DE ALFEU

Pregou na Palestina e no Egito, sendo ali crucificado.

10. JUDAS TADEU

Irmão de Tiago, era comumente chamado Tadeu. Foi crucificado em Edessa o 72 d.C.

11. SIMÃO ZELOTE

Apelidado de zelote, predicou o Evangelho na Mauritânia, África, inclusive na Grã Bretanha, país no qual foi crucificado em 74 d.C.

12. MATIAS

Dele se sabe menos que da maioria dos discípulos; foi escolhido para encher a vaga deixada por Judas. Foi apedrejado em Jerusalém e depois decapitado.

13. PAULO

Paulo Também o apóstolo Paulo, que antes se chamava Saulo, após seu enorme trabalho e obra indescritível para promover o Evangelho de Cristo, sofreu também sob esta primeira perseguição sob Nero. Diz Obadias que quando se dispus sua execução, Nero enviou dois de seus cavaleiros, Ferega e Partémio, para que lhe dessem a notícia de que ia ser morto. Ao chegarem a Paulo, que estava instruindo o povo, pediram-lhe que orasse por eles, para que eles acreditassem. Ele disse-lhe que em breve acreditariam e seriam batizados diante de seu sepulcro. Feito isso, os soldados chegaram e o tiraram da cidade para o lugar das execuções, onde, depois de ter orado, deu seu pescoço à espada.

14. BARNABÉ

Era de Chipre, porém de ascendência judia. Supõe-se que sua morte teve lugar por volta do 73 d.C.

15. MARCOS

Nasceu de pais judeus da tribo de Levi. Supõe-se que foi convertido ao cristianismo por Pedro, a quem serviu como amanuense, e sob cujo cuidado escreveu seu Evangelho em grego. Marcos foi arrastado e despedaçado pelo populacho de Alexandria, em grande solenidade de seu ídolo Serapis, acabando sua vida em suas implacáveis mãos.

16. LUCAS

O evangelista foi autor do Evangelho que leva seu nome. Viajou com Paulo por vários países, e se supõe que foi pendurado de uma oliveira pelos idólatras sacerdotes da Grécia.


Suplemento

[41] A maior parte dessa listagem foi retirada de O Livro dos Mártires, a famosa obra de John Fox, publicada pela primeira vez em latim, no ano de 1559. A ordem dos nomes foi alterada, porém o conteúdo do texto está fielmente transcrito.

Vídeo sobre os primeiros mártires cristãos:
https://youtu.be/cO0cfKyzDOE

Notas bibliográficas

http://www.apazdosenhor.org.br/profhenrique/curiosidades.htm
http://www.reavivamentos.com/pt/livros/John_Fox/Cap1.html
http://www.rochaferida.com/2011/07/como-morreram-os-apostolos-de-jesus.html

Lições
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