O que é o Evangelho
“Também é necessário que eu anuncie a outras cidades o evangelho do reino de Deus; porque para isso fui enviado.” Jesus Cristo - Lucas 4:43

Significado original

O termo evangelho provém do grego, que foi o idioma utilizado nos escritos do Novo Testamento. Na época da sua redação, no século primeiro, a palavra evangelho tinha o significado original de: “boa nova de vitória proveniente do campo de batalha.”

O evangelho do reino de Deus

O texto bíblico é bem claro ao nos revelar que Jesus pregava o evangelho do reino de Deus. Sendo assim, podemos concluir que o evangelho pregado por Cristo foi a proclamação de que o governo de Deus prevalece contra toda oposição maligna.

A vitória do evangelho

Sendo assim, o termo evangelho nos revela três fatos:

1) Há uma guerra, com vítimas aprisionadas pelo inimigo;
2) A vitória foi conquistada e os cativos são libertos; e
3) Essa é uma boa notícia, pois nos diz respeito.

A batalha é espiritual

Ainda que traga consequências para o mundo físico, a guerra da qual estamos falando é travada no âmbito espiritual.

“No demais, irmãos meus, fortalecei-vos no Senhor e na força do seu poder. Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para que possais estar firmes contra as astutas ciladas do diabo. Porque não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais.”
(Efésios 6:10-12)

“Mas, se ainda o nosso evangelho está encoberto, para os que se perdem está encoberto. Nos quais o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus.”
(2 Coríntios 4:3,4)

O cativeiro do pecado

Todas as pessoas que não são de Cristo estão aprisionadas ao pecado e, por causa disso, tornaram-se inimigas de Deus, estando espiritualmente mortas. Ainda que não saibam, suas vidas estão sob a influência negativa de espíritos malignos, que as aprisionam ao pecado, a fim de que tenham a mesma condenação eterna que eles terão no fim dos tempos.

“E vos vivificou, estando vós mortos em ofensas e pecados, em que noutro tempo andastes segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que agora opera nos filhos da desobediência; entre os quais todos nós também antes andávamos nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos por natureza filhos da ira, como os outros também.”
(Efésios 2:1-3)

“Então dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos”
(Mateus 25:41)

O engano do pecado

Não é necessário nos aprofundarmos agora sobre o que é pecado, pois a nossa própria consciência nos acusa quando fazemos algo que sabemos que não deveríamos fazer. A princípio nos basta saber que este “fazer o que não deveríamos” é o que chamamos de pecado – palavra que originalmente significa “errar o alvo”. Ou seja, toda vez que alguém peca está errando o alvo da sua existência, o qual é viver para a glória de Deus.

“Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo; como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor [...]com o fim de sermos para louvor da sua glória, nós os que primeiro esperamos em Cristo”
(Efésios 1:3,4,12)

A consequência do pecado

Apesar de termos nascido para a glória de Deus, qualquer pessoa que ainda não está liberta por Cristo é vencida pela sua própria carnalidade, caindo na tentação do pecado. O resultado disso é o distanciamento de Deus e, respectivamente, a morte da alma.

“Mas cada um é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência. Depois, havendo a concupiscência concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, sendo consumado, gera a morte.”
(Tiago 1:14,15)

A solução para o pecado

E qual é a solução para o pecado, com suas terríveis consequências? A resposta para essa pergunta é precisamente o que chamamos de evangelho.

“Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus; sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus.”
(Romanos 3:23,24)

Ser justificado significa ser considerado justo, ou seja, absolvido de qualquer condenação. Tanto no versículo que acabamos de ver acima, quanto no que veremos a seguir, nos é revelado que somente por meio de Jesus Cristo encontramos tal absolvição.

“Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus nosso Senhor.”
(Romanos 6:23)

Portanto, o evangelho é uma notícia maravilhosa:

Deus, por meio da fé em seu Filho, está nos dando gratuitamente a oportunidade do perdão de pecados para que sejamos reconciliados com Ele e tenhamos a vida eterna como seus filhos amados!

Não despreze o evangelho

Muitos, no entanto, desprezam o evangelho por não compreenderem que seus pecados, por menor que pareçam, os tornaram inimigos de Deus e condenados à sua ira vindoura. Sendo assim, é necessário que, antes de anunciar a salvação em Jesus, o pregador do evangelho se lembre de mencionar o terrível estado de condenação em que se encontra a humanidade, a qual necessita urgentemente se reconciliar com Deus.

“Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não lhes imputando os seus pecados; e pôs em nós a palavra da reconciliação. De sorte que somos embaixadores da parte de Cristo, como se Deus por nós rogasse. Rogamo-vos, pois, da parte de Cristo, que vos reconcilieis com Deus. Àquele que não conheceu pecado, o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus.”
(2 Coríntios 5:19-21)

A Verdade que liberta

Esse ato de perdão e justificação por parte de Deus ocorre quando nos rendemos ao seu filho Jesus Cristo como nosso único Senhor e Salvador para sempre. Único Senhor no sentido de recebermos sua Palavra, nos dispondo a obedecer seus ensinamentos, e único Salvador no sentido de reconhecermos que somente por meio dele, Jesus Cristo, somos libertos da prática do pecado.

“Jesus dizia, pois, aos judeus que criam nele: Se vós permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente sereis meus discípulos; e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará. [...] Em verdade, em verdade vos digo que todo aquele que comete pecado é servo do pecado. Ora o servo não fica para sempre em casa; o Filho fica para sempre. Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres.”
(João 8:31,32,34-36)

Jesus é o evangelho

Um dos melhores exemplos do que significa a pregação do evangelho encontra-se numa certa passagem de Lucas, na qual o Senhor faz a leitura de um trecho do profeta Isaías e, logo a seguir, declara: “Hoje se cumpriu esta Escritura em vossos ouvidos”. E o texto lido foi o seguinte:

“O Espírito do Senhor é sobre mim, pois que me ungiu para evangelizar os pobres. Enviou-me a curar os quebrantados de coração, a pregar liberdade aos cativos, e restauração da vista aos cegos, a pôr em liberdade os oprimidos, a anunciar o ano aceitável do Senhor.”
(Lucas 4:18,19)

É muito importante observarmos que Jesus parou a leitura do trecho de Isaías imediatamente antes da seguinte frase “...e o dia da vingança do nosso Deus.” (Compare Lucas 4:19 com Isaías 61:2) O significado disto é que Cristo não veio ao mundo para condenar as pessoas, pois o mundo já está condenado por conta do pecado.

“Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele. Quem crê nele não é condenado; mas quem não crê já está condenado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus.”
(João 3:17,18)

Hoje é o dia da salvação

Jesus veio nos dar a oportunidade do arrependimento para a salvação antes que chegue o profetizado dia da ira de Deus, no qual os espíritos malignos e os pecadores impenitentes serão condenados para sempre.

“Mas Deus, não tendo em conta os tempos da ignorância, anuncia agora a todos os homens, e em todo o lugar, que se arrependam; porquanto tem determinado um dia em que com justiça há de julgar o mundo, por meio do homem que destinou; e disso deu certeza a todos, ressuscitando-o dentre os mortos.”
(Atos 17:30,31)

“Vede, irmãos, que nunca haja em qualquer de vós um coração mau e infiel, para se apartar do Deus vivo. Antes, exortai-vos uns aos outros todos os dias, durante o tempo que se chama Hoje, para que nenhum de vós se endureça pelo engano do pecado”
(Hebreus 3:12.13)

O justo pelos injustos

E o modo pelo qual Jesus nos possibilitou o perdão dos pecados, a fim de sermos reconciliados com Deus, foi tomando a nossa condenação sobre si mesmo, sobre a sua própria carne, fazendo-se maldição por nós na cruz.

“Porque também Cristo padeceu uma vez pelos pecados, o justo pelos injustos, para levar-nos a Deus; mortificado, na verdade, na carne, mas vivificado pelo Espírito”
(1 Pedro 3:18)

“Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se maldição por nós; porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado no madeiro; para que a bênção de Abraão chegasse aos gentios por Jesus Cristo, e para que pela fé nós recebamos a promessa do Espírito.”
(Gálatas 3:13,14)

O auxílio do Espírito Santo

Ao ser crucificado por nós, Jesus Cristo não somente tomou sobre si a nossa condenação, mas também tornou possível que pela fé nele sejamos abençoados, recebendo o Espírito Santo, que é a presença do próprio Deus em nossas vidas. O Espírito Santo nos possibilita vivermos de modo justo, não mais aprisionados ao pecado, para o qual agora devemos estar mortos, uma vez que por causa dos nossos pecados Jesus morreu por nós na cruz.

“Levando ele mesmo em seu corpo os nossos pecados sobre o madeiro, para que, mortos para os pecados, pudéssemos viver para a justiça; e pelas suas feridas fostes sarados.”
(1 Pedro 2:24)

A vitória na cruz

Sendo assim, por meio da fé em Jesus toda a dívida impagável que tínhamos para com Deus por conta dos nossos pecados está abolida. Consequentemente, os espíritos malignos não encontram mais poder contra os que são de Cristo, pois já foram por ele derrotados na cruz.

“Havendo riscado a cédula que era contra nós nas suas ordenanças, a qual de alguma maneira nos era contrária, e a tirou do meio de nós, cravando-a na cruz. E, despojando os principados e potestades, os expôs publicamente e deles triunfou em si mesmo.”
(Colossenses 2:14,15)

“Quem pratica o pecado é do diabo; porque o diabo peca desde o princípio. Para isto o Filho de Deus se manifestou: para desfazer as obras do diabo. Qualquer que é nascido de Deus não permaneceem pecado; porque a sua semente permanece nele; e não pode pecar, porque é nascido de Deus.”
(1 João 3:8,9)

O motivo da ressurreição

A certeza que temos de que Deus aceitou o sacrifício de Jesus por nós na cruz foi o fato da sua ressurreição ao terceiro dia. Cristo ressuscitou para a nossa justificação, ou seja, para que não tenhamos qualquer dúvida de que o Pai considera nossos pecados perdoados e que, mediante a fé, nos transferiu a justiça do seu Filho, como se nunca houvéssemos pecado.

“Ora, não só por causa dele [Abraão] está escrito, que lhe fosse tomado em conta, mas também por nós, a quem será tomado em conta, os que cremos naquele que dentre os mortos ressuscitou a Jesus nosso Senhor; o qual por nossos pecados foi entregue, e ressuscitou para nossa justificação. Tendo sido, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo; pelo qual também temos entrada pela fé a esta graça, na qual estamos firmes, e nos gloriamos na esperança da glória de Deus.”
(Romanos 4:23-25; 5:1,2)

A maior prova do amor de Deus

Em resumo, o evangelho é isto:

Mesmo sendo miseráveis pecadores, Deus nos proveu por amor a salvação em seu filho Jesus, que morreu a nossa morte a fim de que vivamos a sua vida. Ou seja, ele sofreu a nossa condenação para nos conceder o seu Espírito Santo, a fim de que sejamos verdadeiros filhos de Deus, vivendo felizes para a sua glória.

“Mas Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores. Logo muito mais agora, tendo sido justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira.”
(Romanos 5:8,9)

“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.”
(João 3:16)

Conclusão

Em Jesus Cristo há perdão, libertação, novidade de vida e relacionamento íntimo com Deus como nosso amado Pai celestial. Portanto, não deveríamos perguntar o que é o evangelho, mas quem é o evangelho. E o evangelho não é outro senão: Jesus Cristo.