Discípulos de Cristo ou discípulos de cristianismo?


Por Alan Capriles

Qualquer pessoa que leia o Novo Testamento com humildade e o mínimo de discernimento perceberá o abismo que há entre o que Cristo ensinou e a nossa prática de cristianismo. Não é necessário ser um teólogo para se perceber isso. Todo cristão sincero não somente o percebe, mas também experimenta certa angústia mediante o que se tornou grande parte das igrejas. Certamente aquele "fermento dos fariseus", acerca do qual o Senhor tanto alertou, tem nos contaminado de tal forma que já não parecemos mais discípulos de Cristo, e sim discípulos de um cristianismo que pouco tem a ver com Jesus. Essa diferença não é sutil, todavia muitos parecem não discernir a distância que há entre o Cristo e o nosso cristianismo – um grave problema, que necessitamos urgentemente considerar.

Somos seguidores de Cristo, ou discípulos de um sistema, o cristianismo? A comparação abaixo não é exaustiva, contudo servirá como ponto de partida para nossa reflexão pessoal.

Discípulos de cristianismo defendem acirradamente suas crenças, desferindo ofensas e injúrias contra quem pensar diferente. Discípulos de Cristo preferem se esforçar na prática do ensinamento de Jesus, sobretudo o de amar o próximo como ele nos amou.

Discípulos de cristianismo cuidam de apontar os erros que os outros não devem fazer, condenando-os por suas fraquezas. Discípulos de Cristo se concentram na prática do bem, orando e trabalhando por aqueles que precisam de mais cuidado.

Discípulos de cristianismo se sacrificam por luxuosas edificações, visando engrandecer o nome de sua denominação. Discípulos de Cristo preferem se sacrificar na edificação de vidas, a fim de que sejam santuário do Espírito Santo e exaltem a Deus em seus corações.

Discípulos de cristianismo priorizam o ensino do Antigo Testamento, pois nele acham respaldo para seus próprios interesses. Discípulos de Cristo preferem meditar nos evangelhos, nos quais qualquer interesse pessoal é ofuscado pela graça e verdade que emanam de Jesus.

Discípulos de cristianismo confundem a "casa de Deus" com a edificação na qual costumam se reunir. Discípulos de Cristo compreendem que a verdadeira casa de Deus é uma edificação de pedras vivas, que são pessoas regeneradas e fundamentadas no senhorio de Cristo.

Discípulos de cristianismo almejam títulos, cargos e posições de liderança em suas denominações. Discípulos de Cristo preferem o anonimato de quem veio para servir e não para ser servido.

Discípulos de cristianismo se dedicam a ensaios, apresentações, festivais e congressos, a fim de dizer que estão fazendo a obra de Deus. Discípulos de Cristo compreendem que a obra de Deus é esta: expandir o seu reino em toda a parte, por meio da fé que atua pelo amor.

Discípulos de cristianismo amam receber aplausos e o lugar de destaque sobre os demais irmãos. Discípulos de Cristo preferem transferir toda a glória para Deus, a quem procuram amar mais do que a si mesmos.

Discípulos de cristianismo só consideram como irmãos aqueles que concordam com suas doutrinas. Discípulos de Cristo sabem que, por mais perdido e distante que alguém esteja do Pai, nem por isso deixou de ser seu irmão, a quem deve ajudar a se reencontrar com Deus, por meio do caminho descoberto em Jesus.

Discípulos de cristianismo idolatram homens, especialmente os líderes de suas denominações, aos quais imitam até nos gestos e maneira de falar. Discípulos de Cristo percebem que abaixo de Deus somos todos iguais e que a ninguém devemos imitar, senão a Jesus, que nos ensina a simplicidade de sermos nós mesmos.

Discípulos de cristianismo se orgulham de sua tradição religiosa e a defendem cegamente, mesmo que seja contrária aos ensinamentos de Jesus. Discípulos de Cristo não se orgulham de coisa alguma, a não ser na cruz do Senhor, pela qual estão mortos para o mundo, a fim de viver a verdade em amor.

E, finalmente, discípulos de cristianismo só conseguem ver a igreja como uma organização, enquanto discípulos de Cristo sabem que a verdadeira igreja é um organismo vivo, que sobrevive tanto dentro quanto fora dos meandros de uma instituição.

Mediante tamanha disparidade, deveríamos avaliar seriamente se temos sido verdadeiros discípulos de Cristo, ou meros discípulos de cristianismo. Deveríamos considerar também se desejamos realmente levar Jesus a sério. Não se trata de uma simples mudança de congregação, ou abandono da religião, pois não é nisso que reside o problema. A questão crucial é a necessidade de mudança interior, ou seja, de se arrancar a raiz desse mal, que é a hipocrisia que há em nós. E não há outra forma de fazê-lo senão por meio da oração meditativa, que busca compromisso com o que Jesus nos ensinou.

Em outras palavras, a solução é que venhamos conhecer mais e mais a Cristo, orando para que consigamos praticar seus ensinamentos – passo após passo, dia após dia, como quem segue, de fato, num apertado caminho de renúncia e transformação. Mas o que chamamos de cristianismo segue noutra direção, por um caminho mais fácil e largo, que pouco nos exige a não ser que nos chamemos de cristãos – mesmo que em nada nos pareçamos com Jesus. Portanto, a prática que exercemos define não somente o caminho que trilhamos, mas discípulos de quem realmente somos: se de Cristo para que sejamos a luz do mundo, se de cristianismo para uma tenebrosa estagnação de tudo.
Alan Capriles
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