DEZ CONSELHOS PARA PREGADORES INICIANTES


Por Alan Capriles

Eventualmente sou procurado por pregadores iniciantes, os quais me pedem conselhos sobre o que e como devem pregar. Sendo assim, por que não deixar por escrito algumas dicas? Talvez elas sirvam não somente aos iniciantes, mas também àqueles que desejam se aprimorar no dom que Deus lhes concedeu. Não que eu seja melhor do que ninguém, mas creio que após tantos anos pregando o evangelho, orando por esse ministério, e observando outros pregadores, eu deva ter algo de proveitoso para dizer sobre o assunto. Portanto, o que segue são os dez conselhos mais importantes que eu gostaria que alguém tivesse dado a mim mesmo no início do meu ministério. São conselhos valiosos, testados na prática.[1] Leia-os cuidadosamente, examinando com sinceridade não somente a maneira como elabora sua pregação, mas principalmente sua vida como pregador.[2]

1 - Pregue somente no texto bíblico que estiver "ardendo" em seu coração. Se você não estiver empolgado com sua mensagem, ninguém mais estará.
Pregadores iniciantes geralmente procuram na Bíblia um texto para se pregar. Jamais devemos fazer isso! Nossas mensagens devem originar-se naturalmente, do hábito de nossa leitura bíblica diária. Cultivando esse hábito é inevitável que, durante a semana, não venhamos a ser impactados por algo que tenhamos lido. É dessa meditação nas Escrituras que surgem as pregações expositivas, ou seja, que expõem o texto bíblico.[3] Essas mensagens são as mais edificantes. Devemos evitar as chamadas pregações temáticas, pois esse tipo de mensagem raramente nasce de um texto, mas daquilo que o próprio pregador decidiu dizer, usando o texto apenas a pretexto de um tema.

2 – Faça seu próprio esboço, ao invés de usar o de outra pessoa.
Obviamente, o uso do esboço não é obrigatório, mas, caso você venha utilizá-lo, evite usar um esboço de terceiros. Mesmo que seja um esboço de Charles Spurgeon, faça o seu próprio esboço, segundo o que Deus estiver falando ao seu coração. Pregadores iniciantes geralmente caem na tentação de procurar esboços prontos, mas é preferível pregar sem esboço algum a usar um esboço que não tenha nascido de sua própria meditação nas Escrituras.

3 – Ao elaborar seu esboço, escreva o mínimo possível. O esboço é apenas um guia, não é a pregação escrita.
O esboço não é para ser lido, mas apenas consultado durante a mensagem.[4] Tomando esse cuidado você conseguirá pregar olhando diretamente para as pessoas e não para o papel. Pregadores iniciantes costumam escrever a pregação no papel, pensando que isso é fazer um esboço, e depois ficam lendo as páginas daquilo que escreveram, sem olhar para os ouvintes – isso mata qualquer pregação! Para não cometer esse erro, anote em seu esboço somente as referências bíblicas e as “palavras chave” que o farão lembrar-se do que deve dizer, ou por qual caminho pretende seguir. Imagine os pontos do seu esboço como se fossem estações de trem, as quais apenas pontuam o caminho pelo qual ele deve passar e que o conduzem ao seu destino final – nesse caso, a conclusão da sua mensagem.

4 - Uma boa pregação tem um só propósito, um alvo bem definido.
Esse alvo, também chamado de proposição, precisa ser dito logo na introdução da mensagem. Os ouvintes querem saber a respeito do que você irá falar, e se você não esclarecer isso logo no início da mensagem dificilmente eles lhe darão atenção no restante da mesma. O ideal é que a proposição seja clara, bem enfatizada e relembrada no decorrer de toda a pregação.

5 – Os pontos da mensagem precisam estar ligados ao seu propósito e aos ouvintes.
Não é necessário haver muitos pontos em sua mensagem para que você comprove o que deseja enfatizar. Três pontos é o ideal; quando muito, quatro. Sete pontos torna a mensagem extensa demais. Dez pontos, nem pensar! Mas todos eles devem originar-se do texto e estar ligados à proposição, ou seja, devem ter algo a ver com o foco da sua mensagem. E não somente isso, mas os pontos precisam também estar ligados aos ouvintes, ou seja, devem ter alguma significação para suas vidas. Durante toda a mensagem o pregador deve deixar claro porque a Palavra que ele está pregando tem relevância para os seus ouvintes e como ela se aplica em suas vidas. O desprezo em se aplicar a mensagem na vida dos ouvintes é o que a torna desinteressante e, consequentemente, cansativa. Infelizmente, muitos pregadores cometem esse erro.

6 - Não sobrecarregue sua mensagem com referências bíblicas.
Basta uma referência para cada ponto da mensagem. Raramente é necessário mais do que isso. Ou seus ouvintes creem na Palavra, ou não!

7 – Toda pregação do evangelho deve se fundamentar em Cristo.
Sendo assim, compare o que pretende dizer com o que Cristo ensinou. Tenha certeza absoluta de que você não estará pregando ensinamentos errôneos. Isso é muitíssimo importante! Na dúvida, seja humilde e pergunte ao seu pastor.

8 - Seja você mesmo.
Não tente imitar outros pregadores, tenha seu próprio estilo. Se você não acreditar em você, ninguém mais acreditará. Lembre-se também de que não adianta pregar uma coisa e viver outra. O exemplo do pregador fala mais fortemente que sua pregação.

9 - Por mais dura que seja a mensagem, pregue com amor.
Tenha compaixão pelas almas. Termine sempre sua pregação semeando esperança e fé nos seus ouvintes, lembrando-lhes da misericórdia de Deus, o qual é poderoso para transformá-los e transformar suas vidas. Conclua sua mensagem positivamente, motivando seus ouvintes a uma conversão genuína, por meio do arrependimento e da confissão de pecados em oração.

10 - Gaste tempo meditando e orando sobre sua mensagem.
Não há nada pior para um pregador do que ele estar desprovido da unção. Portanto, cultive uma vida de oração. Encha-se do Espírito Santo e permita que Ele pregue através de você. Não cofie em si mesmo, mas na unção de Deus que opera através da sua vida.

Siga esses conselhos e sua pregação certamente será uma bênção! Dizer isso me fez lembrar que devo acrescentar algo muito importante. Mais cedo ou mais tarde ocorrerá aplausos durante a sua pregação, algo que você não deve forçar, mas que acontecerá espontaneamente. Sempre que isso ocorrer lembre-se de que esses aplausos não são para você, mas para a Palavra de Deus que está sendo pregada. Não há nada pior que um pregador soberbo, que busca glória para si mesmo. Mantenha-se sempre humilde. Somente a Deus seja a glória.
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Notas:

[1] Para ouvir algumas mensagens que preguei, clique aqui

[2] Sei que alguns leitores tem uma ideia negativa quanto à pregação. Creio que tenham sido influenciados pela leitura do livro Cristianismo Pagão, de Frank Viola. Apesar de eu concordar com praticamente tudo que há nessa obra fantástica, faço uma ressalva quanto ao seu ponto de vista acerca do sermão. A meu ver, Viola radicalizou a questão, olhando com maus olhos algumas características que não são negativas em si mesmas. Por exemplo, o fato de se pregar ou não atrás de um púlpito não faz diferença alguma. Preguei durante anos em praças públicas e sei, pela prática, que o resultado é o mesmo. Outro argumento defendido por Viola, o de que “interrupções por parte da audiência eram comuns” nas pregações do Novo Testamento, simplesmente não se sustenta. Basta uma leitura do livro de Atos para que vejamos que as pregações não eram diálogos, mas proclamações do evangelho. Além do mais, não é proibido que alguém pergunte ou faça comentários durante uma pregação, coisa que já aconteceu comigo algumas vezes e que encarei com simpatia e atenção. Porém, a mais estranha crítica de Viola foi ele condenar que a pregação ocorra “pelo menos uma vez por semana” como se isso fosse algo negativo. Será que ele está sugerindo que devêssemos pregar menos?! Ora, quanto mais se proclamar o evangelho, melhor! Por outro lado, concordo plenamente que a pregação deve ser algo espontâneo, segundo a direção do Espírito Santo. O que Frank Viola esquece, ou ignora, é que o bom pregador se entrega à direção do Espírito Santo desde antes da preparação de um esboço, sendo este também preparado debaixo da mesma unção. O resultado são vidas impactadas e transformadas pela exposição da Palavra de Deus, fato que tenho testemunhado por toda a minha vida como pregador do evangelho. E por isso continuo pregando.

[3] Para quem deseja se aprofundar no assunto da pregação expositiva, indico a leitura de A Importância da Pregação Expositiva para o Crescimento da Igreja, excelente livro de Hernandes Dias Lopes.

[4] Pregar sem esboço é o ideal. Mesmo que você elabore um rascunho, contendo a introdução, proposição, pontos da mensagem e conclusão, procure memorizar tudo e tente pregar sem a dependência do papel.
Alan Capriles

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