A REENCARNAÇÃO E A BÍBLIA


Introdução

Reencarnação é a crença de que o corpo carnal nada mais é que o invólucro de um espírito imortal que encarna sucessivas vezes a fim de expiar seus erros e aprimorar-se rumo à perfeição. Tal doutrina é também chamada de metempsicose, ou transmigração da alma, sendo apregoada pelos adeptos do hinduísmo, budismo, espiritismo e espiritualismo. Diversas seitas, principalmente as orientais e ligadas ao movimento da Nova Era, também ensinam a reencarnação.

No Brasil os defensores mais acirrados dessa doutrina são os kardecistas, cujo fundador dessa linha do espiritismo assim definiu a reencarnação: "é a volta da alma à vida corpórea, mas em outro corpo, especialmente formado para ela e que nada tem de comum com o antigo."

Muitos espíritas se dizem cristãos e tentam utilizar-se de textos bíblicos para justificar suas crenças. No entanto, se examinarmos o Novo Testamento, constataremos que a reencarnação não foi ensinada por Jesus Cristo e nem por seus apóstolos. Na realidade, as principais doutrinas cristãs são irreconciliáveis com a doutrina espírita, uma vez que esta nega o perdão dos pecados por meio do sangue de Jesus.

A fim de comprovarmos a incompatibilidade entre a doutrina da reencarnação e a Bíblia, começaremos analisando os versículos bíblicos que os reencarnacionistas usam para "provar" a metempsicose. A seguir, concluiremos com argumentos incontestáveis, que provam porque razões é inadmissível uma pessoa seguir a Cristo e, ao mesmo tempo, crer na necessidade da reencarnação.

TEXTOS BÍBLICOS USADOS ERRONEAMENTE PARA TENTAR SE PROVAR A DOUTRINA DA REENCARNAÇÃO E REFUTADOS PELA PRÓPRIA BÍBLIA

1. Em João 3:1-8 Jesus teria ensinado a reencarnação?

Os reencarnacionistas enfatizam apenas o versículo de número 3, mas o contexto mostra que Jesus não está ensinando a reencarnação, por que:

1.1 - No contexto, Jesus está ensinando sobre regeneração, ou seja, uma novidade de vida que deve ocorrer nesta mesma vida (2 Co 5:17; Rm 7:6; 8:1; Gl 6:15; Ez 11:19);

1.2 - Jesus responde claramente a Nicodemos que não está falando sobre nascimento materno, mas de um nascer da água e do Espírito (v.5);

1.3 - Jesus enfatiza que uma coisa é nascimento carnal, e outra, espiritual. Ele insiste que está falando de renascimento espiritual, não natural (v.6);

1.4 - O advérbio grego traduzido como "de novo" significa também "de cima, do alto". Este, na verdade, é seu sentido principal, e não o primeiro. Algumas versões já consertaram esse equívoco de tradução.

2. O texto de Mateus 17:10-13 declara que João Batista teria sido a reencarnação de Elias?
Por várias razões é inconcebível que o profeta Elias houvesse reencarnado na pessoa de João Batista. Vejamos:

2.1 - O profeta Elias nem sequer morreu, ele foi arrebatado ao céu (2 Rs 2:11). A doutrina da reencarnação afirma que para renascer, primeiro é preciso morrer;

2.2 - O próprio João Batista negou ser Elias (Jo 1:21);

2.3 - Em Lucas 1:17 é esclarecido que João não seria a reencarnação de Elias, mas que viria com a mesma unção;

2.4 - No episódio da transfiguração, (Mt 17:3) João Batista já havia morrido. Mas a visão que os discípulos tem é de Jesus conversando com Moisés e Elias. Ora, a doutrina espírita afirma que o espírito sempre aparece com a imagem da última encarnação. Portanto, se a reencarnação existisse, teriam que ver Moisés e João Batista. Mas não foi o que aconteceu.

3. Segundo Mateus 21:9, Jesus teria sido a reencarnação de Davi?
Alguns espíritas afirmam que Jesus era chamado de "filho de Davi" significando ser a reencarnação deste.

3.1 - A expressão "filho de" jamais teve o sentido de reencarnação, mas sim de descendência (Mt 1:1; 1:20);

3.2 - A pergunta desafiadora de Jesus aos fariseus, em Mateus 22:45, aponta sua superioridade em relação a Davi, assim como sua preexistência em Deus.

4. O episódio de João 9:1-3 sugere que os apóstolos acreditavam na reencarnação?
A pergunta que os apóstolos fazem a Jesus parece indicar que eles acreditavam que aquele cego houvesse tido uma encarnação passada. Mas isso não pode ser verdade por que:

4.1 - O judaísmo nunca ensinou a reencarnação, mas sim a possibilidade de uma pessoa pecar desde o ventre de sua mãe. De fato, os judeus criam que uma pessoa pecava mesmo durante a gestação, antes de nascer. O Salmo 58, por exemplo, nos dirá que "alienam-se os ímpios desde a madres"(v.3), ideia que os rabinos fortaleciam em seus ensinamentos;

4.2 - Neste episódio Jesus derruba não somente a ideia de que alguém possa pecar no ventre de sua mãe, como também a base doutrinária da metempsicose. Ora, a doutrina da reencarnação ensina que todo mal físico é a expiação de algum mal cometido na encarnação passada, mas Jesus esclarece que o fato daquele homem nascer cego não tinha nenhuma relação com seus pecados. E porque não? Simplesmente porque ele não podia pecar, pois ainda nem sequer existia.

5. Segundo Jó 1:21, podemos deduzir que Jó tinha esperança de reencarnar?
Alguns usam esta afirmação de Jó para concluir que a Bíblia estaria ensinando a reencarnação. Isso não faz sentido, por que:

5.1 - A doutrina da reencarnação não ensina que o espírito volta para o ventre da própria mãe, mas foi exatamente isso que Jó disse no versículo mencionado;

5.2 - A expressão "saí do ventre da minha mãe" era entendida como ter vindo do pó da terra (Gn 3:19). Um exemplo deste paralelismo está no Salmo 139:15, no qual Davi declara ter sido formado nas profundezas da terra, e não no ventre de sua mãe;

5.3 - No cap. 19:25-26 Jó irá declarar que crê na ressurreição (o que não deve ser confundido com reencarnação), e que sua esperança está no seu redentor (Cristo) e não na expiação de seus pecados por meio de infindáveis reencarnações;

5.4 - No cap. 14:10-12 a declaração Jó é irreconciliável com a doutrina da reencarnação: "O homem, porém, morre e fica prostrado; expira o homem e onde está? Como as águas do lago se evaporam, e o rio se esgota e seca, assim o homem se deita e não se levanta; enquanto existirem os céus, não acordará, nem será despertado do seu sono."

COMPARAÇÃO ENTRE A DOUTRINA DA REENCARNAÇÃO E O ENSINAMENTO BÍBLICO

I - A reencarnação ensina uma auto expiação, chamada "carma", mas a Bíblia afirma expressamente que ninguém pode expiar seus próprios pecados, porque não há ninguém que nunca peque (Sl 14:3; Ec 7:20; Rm 3:9,23).

II - A doutrina espírita incentiva as boas obras como forma de se obter uma reencarnação melhor, mas a Bíblia afirma que ninguém é salvo por boas obras. Praticá-las é nossa obrigação, não havendo qualquer mérito nisso (Is 64:6; Lc 17:10; Ef 2:8-10; Rm 3:20).

III - A reencarnação culpa cada ser por pecados de outra existência, da qual ninguém se lembra, e ainda nega a existência do diabo, que foi tão mencionado por Jesus. No entanto, a Bíblia afirma que o mal que há no mundo é decorrente do pecado, o qual deu ocasião ao diabo (Gn 3:17; At 10:38; Rm 5:12-14; 8:19-23; Hb 2:14-15; 1Jo3:8).

IV - A doutrina da reencarnação ensina que cada espírito já habitou muitos outros corpos, e que não vem diretamente de Deus, mas a Bíblia afirma claramente que o espírito do homem se origina em Deus e que a Ele retornará para prestar contas de sua existência neste mundo (Gn 2:7; Is 42:5; Zc 12:2; Rm 14:12; Hb 12:9).

V - A reencarnação nega a santidade de Cristo, bem como a sua divindade, mas a Bíblia enfaticamente aponta Jesus Cristo como tendo sido o único homem que nasceu sem pecado e que jamais pecou (2Co 5:21; Hb 4:15, 9:28; 1Pe 2:22; 1Jo 3:5).

VI - A reencarnação ensina que Jesus se sacrificou por si mesmo, para seu próprio progresso espiritual, mas a Bíblia afirma que o sacrifício de Jesus Cristo na cruz do calvário não foi por ele mesmo, mas para fazer expiação pelos pecados de todos que nele tem fé (Is53:3-5; Hb7:26-28; 9:11-14, 24-28).

VII - A reencarnação nega que haja salvação na pessoa de Jesus Cristo, mas a Bíblia expressamente afirma que é preciso converter-se a Cristo para ser salvo. (Mt 1:21; Jo 3:36; 14:6; At 4:12; 10:43; Rm 5:17-21; 1Tm 2:5)

VIII - A Bíblia afirma que ao homem é concedida uma única encarnação (Ec 3:20-22; 9:5-6; 12:7; Hb 9:27) A doutrina da reencarnação ensina que há inúmeras encarnações. E ainda confunde ressurreição com reencarnação.

IX - A Bíblia afirma da urgência de se pregar o evangelho da salvação em Cristo, porque não haverá outra oportunidade após a morte (Is 55:6; Rm 1:16; 2Co 6:2; Hb 3:15). A doutrina da reencarnação é irreconciliável com a mensagem do evangelho, razão pela qual o menospreza, ou reinterpreta, como no chamado “Evangelho Segundo Allan Kardec”, cujo conteúdo é muito diferente da doutrina de Jesus Cristo e dos apóstolos.

X - A doutrina da reencarnação ensina que todos têm que sofrer e aceitar isso passivamente, pois não há vida eterna com Deus e nem relacionamento pessoal com Ele, mas um interminável ciclo de morte, reencarnação e morte. Mas a Bíblia afirma que Deus é amor e que Ele nos amou “de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna" (Jo 3:16 e 1Jo 4:8,16)

Conclusão

Qualquer um que leia o Novo Testamento perceberá que a doutrina da reencarnação é totalmente estranha aos ensinamentos de Cristo e dos apóstolos, razão pela qual Allan Kardec precisou escrever um novo evangelho – mas que nada tem a ver com a mensagem redentora dos evangelhos segundo Mateus, Marcos, Lucas e João. Um genuíno cristão crê na boa nova do perdão de seus pecados, da regeneração e da vida eterna por meio de Jesus Cristo (Mt 28:5-6; Lc 14:14; Jo 5:24-29; 6:39-40; 11:25; 1Co 6:14; 2Co 4:14; 1Ts 4:14-16). A despeito desse fato, que é claramente comprovado nas escrituras, reconhecemos que qualquer um é livre para decidir acreditar em reencarnação. O que estranhamos é que tal pessoa venha se dizer cristã, pois, com ficou esclarecido em nosso estudo, uma coisa nada tem a ver com outra. Resumindo, Jesus não ensinou que morreremos eternamente, mas ensinou que aqueles que permanecem nele, viverão com ele eternamente.

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